O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente da China, Xi Jinping, realizaram uma reunião bilateral durante a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), que decorreu em Tianjin, na China. Este encontro teve como objetivo reforçar a parceria comercial entre as duas nações, com Xi a sublinhar a importância de uma colaboração estreita, afirmando que “o dragão e o elefante devem unir-se”.
Modi enfatizou que a paz nas fronteiras é crucial para o desenvolvimento do relacionamento entre os dois países. Ambos os líderes concordaram que a Índia e a China devem ser vistas como parceiras de desenvolvimento, em vez de rivais. Xi afirmou que “uma dança de cooperação do dragão e do elefante deveria ser a escolha certa para os dois países”, referindo-se ao potencial de colaboração entre as 2,8 mil milhões de pessoas que habitam estas nações.
A questão do défice comercial entre os dois países, que atinge um recorde de 99,2 mil milhões de dólares, foi também abordada. Modi expressou a necessidade de a Índia ter maior acesso aos mercados chineses e de expandir a cooperação em diversas áreas, incluindo práticas de comércio justo. Este diálogo surge num contexto em que a Índia procura autonomia estratégica, sem depender da influência de terceiros.
A reunião ocorreu pouco depois de os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, terem imposto tarifas de 50% sobre produtos indianos, em resposta à compra de petróleo russo pela Índia. Esta medida levou Modi e Xi a alinharem-se contra as pressões ocidentais durante a cimeira da OCX, que contou com a presença de 20 líderes globais, incluindo Vladimir Putin. O objetivo comum é promover uma governança alternativa à ocidental, num período de crescente instabilidade.
Xi Jinping reiterou a necessidade de um “mundo multipolar e uma globalização económica inclusiva”, defendendo um novo modelo de multilateralismo, o “espírito de Xangai”. Este encontro é visto como um marco na aproximação entre a Índia e a China, que estavam com relações congeladas há mais de cinco anos, especialmente devido à pressão económica dos EUA.
A estratégia de Trump, ao tentar penalizar a Índia, pode ter resultado num erro histórico, ao fortalecer os laços entre Nova Deli e Pequim. A Índia, tradicional aliada dos EUA na região, está agora a reforçar as suas parcerias com outros países, como o Vietname. Este movimento pode ser interpretado como uma resposta à escalada tarifária dos EUA, que forçou os países do grupo BRICS a procurar alternativas estratégicas e comerciais.
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Fonte: Sapo





