A Católica Lisboa School of Business and Economics lançou um ciclo de oito workshops focados na saúde mental no local de trabalho, com início este mês. O objetivo é ajudar as empresas portuguesas a transformar a saúde mental numa alavanca estratégica para aumentar a produtividade, inovação e retenção de talento. A primeira sessão permitirá que as organizações avaliem a sua maturidade neste tema.
Esta iniciativa faz parte do Pacto para a Promoção da Saúde Mental nos Ambientes de Trabalho, criado em 2022 sob a liderança da Católica. Frederico Fezas-Vital, diretor do pacto, explica que, após a pandemia, as pessoas tornaram-se mais abertas a discutir a saúde mental. “Decidimos aproveitar essa tendência e apoiar as organizações a adotarem medidas inovadoras nesta área”, afirma.
Atualmente, o pacto conta com 32 empresas de diversos setores, incluindo empresas públicas e organizações sem fins lucrativos. Após três anos de colaboração, foi lançado em 2025 o primeiro roadmap para a saúde mental nas organizações, desenvolvido em conjunto com empresas como EDP, Galp, Pfizer e REN. Este documento agora serve de base para os workshops, que estão abertos tanto a empresas que fazem parte do pacto como a outras que desejam integrar a saúde mental nas suas estratégias.
Os workshops, que começam em janeiro, têm um módulo mensal correspondente a um capítulo do roadmap, começando pela avaliação de maturidade. Cada sessão será realizada numa empresa diferente, com facilitadores de várias organizações do pacto. A primeira sessão está agendada para 22 de janeiro na Águas de Portugal, seguida de outras em empresas como Ageas, Cofidis, Leroy Merlin, Johnson & Johnson, EDP, The Square e Auchan.
Frederico Fezas-Vital destaca que existem quatro grandes desafios na promoção da saúde mental nas empresas. O primeiro é o autoestigma, que dificulta o diagnóstico. O segundo é o preconceito, que ainda leva a práticas empresariais que penalizam trabalhadores com questões de saúde mental. A transversalidade é o terceiro desafio, pois é crucial envolver não apenas a liderança, mas também as chefias intermédias. Por fim, há a perceção errada de que cuidar da saúde mental requer um grande investimento, quando, na verdade, não agir pode ser ainda mais custoso devido ao absentismo.
“Se os gestores começarem a ver a saúde mental como uma questão de gestão e não apenas de ajuda, muitas coisas poderão mudar”, afirma Fezas-Vital. Ele sublinha que é fundamental que as lideranças coloquem a saúde mental no centro das suas estratégias, para evitar desinvestimentos em tempos de pressão financeira.
Além dos workshops, o Pacto para a Promoção da Saúde Mental nos Ambientes de Trabalho planeia, para 2026, a elaboração de um policy brief em colaboração com a Ordem dos Psicólogos. O objetivo é que o trabalho das organizações do pacto sirva de orientação para as políticas públicas, transformando o pacto num agente de mudança sistémica em Portugal.
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Fonte: ECO





