As entradas nas universidades em Portugal sofreram uma queda significativa, levando a questionamentos sobre as causas desse fenómeno. De acordo com Maria de Lurdes Rodrigues, reitora do ISCTE e antiga ministra da Educação, a principal razão para esta diminuição está relacionada com a reintrodução dos exames para a conclusão do Ensino Secundário. Esta mudança, segundo Rodrigues, teve um impacto direto na procura dos estudantes pelo Ensino Superior.
Os alunos que agora se candidatam ao Ensino Superior foram aqueles que, durante a pandemia, estavam no 8.º e 9.º anos. Estes jovens concluíram o Ensino Básico em condições adversas e, por isso, podem ter desenvolvido deficiências de aprendizagem que não foram resolvidas durante o Ensino Secundário. Este contexto pode explicar a queda nas entradas nas universidades, que em 2025 registaram 43.899 colocações, menos seis mil do que no ano anterior.
Além disso, a análise revela que o número de candidatos caiu 15,4% em relação ao ano anterior, enquanto o número de colocados diminuiu 12,1%. As vagas sobrantes, que passam para a segunda fase, aumentaram em 130%, indicando um desajuste entre a oferta e a procura.
Pedro Santa Clara, uma figura relevante no ensino superior, destaca outro aspecto importante: a existência de 1.132 cursos superiores em Portugal, muitos dos quais apresentam uma oferta excessiva e de qualidade questionável. Ele argumenta que, apesar da forte procura pelas melhores universidades, a manutenção de numerus clausus pode limitar as oportunidades para os alunos.
Com uma média de 49 vagas por curso e 153 cursos com 20 vagas ou menos, Santa Clara questiona a eficiência de oferecer formações tão pequenas. Na primeira fase deste ano, 41 cursos ficaram sem candidatos, refletindo a dificuldade de atrair alunos para instituições menores, especialmente em áreas como as engenharias.
Para melhorar a qualidade do sistema de ensino superior, Santa Clara sugere a necessidade de menos regulação e um modelo de governança que responsabilize as instituições perante a sociedade. Ele acredita que é fundamental financiar alunos e permitir que instituições sem procura possam falir, promovendo assim uma oferta mais ajustada às necessidades dos estudantes.
A situação das entradas nas universidades em Portugal é complexa e multifacetada. É essencial abordar estas questões de forma a garantir que o sistema de ensino superior se adapte às necessidades dos alunos e do mercado. Leia também: “O futuro do ensino superior em Portugal: desafios e oportunidades”.
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Fonte: Sapo





