A crescente responsabilidade dos trabalhadores-cuidadores, que equilibram a vida profissional com o cuidado de familiares dependentes, tornou-se um desafio significativo para as organizações. Com o envelhecimento da população e a escassez de suporte profissional, muitos destes cuidadores são familiares que dedicam longas horas a apoiar os seus entes queridos, o que impacta diretamente a sua disponibilidade e produtividade no trabalho.
Estudos recentes, como o de Raquel Franco, destacam a importância de reconhecer esta realidade. Ignorar as necessidades dos trabalhadores-cuidadores pode resultar em exaustão física e emocional, maior absentismo e até mesmo a saída de talentos valiosos das empresas. Assim, a questão do cuidado não deve ser vista apenas como uma responsabilidade privada, mas sim como um desafio organizacional que requer atenção e ação.
Para apoiar os trabalhadores-cuidadores, algumas empresas já implementaram boas práticas, como a flexibilidade de horários, licenças remuneradas e acesso a plataformas que ajudam na gestão dos cuidados. Estas iniciativas não só melhoram o bem-estar dos colaboradores, mas também promovem uma cultura de empatia e coesão dentro das organizações. Além disso, a criação de grupos de apoio interno tem mostrado ser eficaz na partilha de experiências e na redução do isolamento entre cuidadores.
As organizações podem adotar várias estratégias para apoiar os trabalhadores-cuidadores, incluindo: horários flexíveis e trabalho híbrido, licenças específicas para cuidados, programas de apoio psicológico e parcerias com empresas que oferecem cuidados profissionais a preços acessíveis. Valorizar a diversidade geracional no local de trabalho, promovendo a interação entre trabalhadores mais velhos e jovens, também é fundamental para criar um ambiente inclusivo e solidário.
Apoiar os trabalhadores-cuidadores não é apenas uma questão de solidariedade, mas uma gestão estratégica que pode levar a uma maior retenção de talento e a uma redução do absentismo. Além disso, esta abordagem contribui para uma reputação organizacional mais forte e para um futuro mais sustentável, onde a longevidade e o cuidado são valorizados.
Como afirma Raquel Franco, “se as organizações aprenderem a ser solidárias com essa realidade, estarão a caminhar para uma sociedade mais capaz e mais saudável”. Portanto, é essencial que as empresas reconheçam e intervenham nas necessidades dos trabalhadores-cuidadores, criando um ambiente de trabalho que valorize não apenas a produtividade, mas também o bem-estar dos seus colaboradores.
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Fonte: Sapo





