O Ministério Público (MP) apresentou hoje, em tribunal, escutas telefónicas que envolvem José Sócrates e Ricardo Salgado, no âmbito da Operação Marquês. As escutas, datadas de abril de 2014, revelam que Sócrates combinou um jantar na casa do ex-banqueiro, mas o antigo primeiro-ministro insiste que a refeição nunca teve lugar.
Durante a audiência, Sócrates, que foi primeiro-ministro entre 2005 e 2011, afirmou que foi convidado para um jantar em Cascais, onde também estaria presente Henrique Granadeiro, na altura presidente executivo da Portugal Telecom. Contudo, o ex-governante defendeu que a reunião não se concretizou porque Granadeiro não compareceu. “Fui convidado para jantar, mas o jantar não aconteceu”, reiterou Sócrates, desvalorizando a relevância das escutas que indicam o contrário.
José Sócrates, de 67 anos, enfrenta acusações de 22 crimes, entre os quais três de corrupção, por supostamente ter recebido dinheiro para favorecer diversos grupos económicos, incluindo o grupo Lena e o Grupo Espírito Santo (GES), que estava ligado ao Banco Espírito Santo (BES) e era acionista da Portugal Telecom.
Ricardo Salgado, de 81 anos e com problemas de saúde, e Henrique Granadeiro, da mesma idade, são também arguidos neste processo, que envolve um total de 21 pessoas. No total, estes arguidos respondem a 117 crimes de natureza económico-financeira, todos negando a prática de qualquer ilícito.
O julgamento da Operação Marquês teve início a 3 de julho no Tribunal Central Criminal de Lisboa e está agendado para continuar na próxima quarta-feira, com o MP a solicitar mais esclarecimentos sobre a relação de Sócrates com o grupo Lena. Leia também: “Operação Marquês: O que está em jogo para a política portuguesa”.
Operação Marquês Operação Marquês Nota: análise relacionada com Operação Marquês.
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Fonte: Sapo





