O Índice Digital Regional (IDR) 2024, recentemente publicado pela Universidade do Minho, revela que Lisboa continua a ser a região mais avançada em termos de digitalização em Portugal. Este estudo evidencia as profundas assimetrias que persistem na construção da Sociedade da Informação no país. A Grande Lisboa destaca-se de forma significativa em comparação com as restantes regiões NUTS II, mostrando um desempenho superior que levanta preocupações sobre a equidade no desenvolvimento regional.
Em segundo lugar no ranking surge a Península de Setúbal, que inclui municípios que faziam parte da antiga Área Metropolitana de Lisboa. A região Centro ocupa a terceira posição, enquanto as regiões autónomas, nomeadamente os Açores, ficam no final da tabela, com a última posição.
Os dados do IDR 2024 são baseados numa nova organização territorial que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2024. Apesar dos milhões de euros investidos em fundos estruturais para promover a coesão territorial, as disparidades entre as regiões continuam a ser uma realidade. Luís Miguel Ferreira, investigador do Gávea – Observatório da Sociedade da Informação, sublinha que, mesmo com alertas constantes sobre a necessidade de um desenvolvimento mais equilibrado, as assimetrias regionais não só persistem como, em alguns casos, agravam-se.
O estudo revela que a Grande Lisboa obteve a melhor pontuação em 58% dos indicadores analisados, enquanto a Península de Setúbal destacou-se em 17% dos indicadores. Isto significa que, em três quartos dos indicadores, a antiga Área Metropolitana de Lisboa alcançou o melhor desempenho.
O IDR, que foi lançado pela primeira vez em 2014, visa compreender a realidade da Sociedade da Informação nas sete regiões NUTS II de Portugal. Os resultados deste ano mostram que, nos quatro sub-índices analisados — contexto, infraestrutura, utilização e impacto —, a Grande Lisboa e a Península de Setúbal mantêm-se nas primeiras posições.
Luís Miguel Ferreira também destaca que, apesar da revisão metodológica implementada devido à nova organização territorial, o distanciamento da Grande Lisboa em relação às outras regiões é evidente. Este cenário reflete uma realidade crónica de desigualdades que se estende a várias áreas do desenvolvimento nacional.
Luís Amaral, coautor do estudo, reforça que, mesmo após décadas de políticas de coesão e investimentos significativos, as disparidades não só se mantêm como tendem a consolidar-se. O caminho para uma verdadeira convergência territorial no domínio digital ainda parece distante.
Por fim, a Região Norte ocupa a quinta posição do ranking, seguida pelo Algarve, que alcança a quarta posição. As regiões autónomas da Madeira e dos Açores, por sua vez, continuam a ocupar as últimas posições, a oitava e nona, respetivamente. Leia também: A evolução da digitalização nas regiões portuguesas.
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Fonte: Sapo





