O mercado de veículos elétricos em Portugal está a crescer a um ritmo acelerado e, segundo uma análise da ChargePlanner, a frota elétrica deverá quadruplicar até 2030. Este aumento inclui tanto modelos híbridos plug-in como totalmente elétricos. No entanto, este crescimento traz consigo um desafio significativo: a capacidade de carregamento atual é apenas 40% da necessária para atender à demanda prevista para os próximos cinco anos.
De acordo com o estudo da ChargePlanner, a rede elétrica em Portugal ainda não está preparada para suportar este aumento. Atualmente, apenas 344 megawatts (MW) de capacidade de carregamento estão disponíveis, o que cobre apenas uma fração das necessidades futuras. Para 2030, será necessário atingir um total de 863 MW, o que implica a instalação de 521 MW adicionais.
A quota de veículos elétricos no mercado automóvel português é de 2,3%, um valor que se destaca em comparação com países como Espanha e outras nações do sul da Europa. Contudo, a infraestrutura de carregamento é insuficiente. Para cada 30 veículos elétricos, existe apenas um ponto de carregamento lento, um rácio que evidencia a necessidade urgente de mais infraestrutura. A situação é ainda mais crítica no que diz respeito ao carregamento ultrarrápido, onde há um posto para cada 383 veículos elétricos, o que representa o maior desequilíbrio entre os dez países europeus analisados.
Atualmente, Portugal conta com 13.814 pontos de carregamento, sendo que a maioria (9.074) é de carregamento lento. Os pontos de carregamento rápido somam 4.037, enquanto os ultrarrápidos são apenas 703. Apesar de Portugal ter mais pontos de carregamento rápido em comparação com outros países, a pressão sobre a rede ultrarrápida é elevada.
A ChargePlanner estima que a frota elétrica em Portugal deverá aumentar de 269 mil para 797 mil veículos até 2030, com os modelos totalmente elétricos a dominarem o mercado. Para que este crescimento seja viável, é essencial que sejam tomadas decisões informadas sobre a instalação de novos postos de carregamento, tanto em termos de quantidade como de localização.
Lisboa e Porto estão entre os distritos que enfrentam as maiores necessidades de capacidade de carregamento. Treze das vinte regiões de Portugal já ultrapassaram 50% da capacidade necessária. Em Lisboa, apenas 25% da capacidade ideal está disponível, enquanto no Porto esse número é de 32%. Setúbal e Braga também apresentam percentagens preocupantes, com 34% e 35%, respetivamente.
A Powerdot lidera o mercado de carregamentos elétricos em Portugal, com uma capacidade de 48 MW, seguida pela Galp Power e EDP Comercial, ambas com 38 MW. O futuro da frota elétrica em Portugal depende, portanto, de uma rápida adaptação da infraestrutura de carregamento, que deve ser implementada de forma estratégica e eficiente.
Leia também: O impacto da mobilidade elétrica na economia portuguesa.
frota elétrica frota elétrica Nota: análise relacionada com frota elétrica.
Leia também: Aumento de 500% nas casas públicas: de Costa a Montenegro
Fonte: ECO





