Na preparação do Orçamento de Estado para 2026 (OE2026), o governo português apresentou o Quadro de Políticas Invariantes, que inclui compromissos financeiros já assumidos no valor de 4.449 milhões de euros. Segundo o Fórum para a Competitividade, esta situação condiciona as negociações do OE2026, embora possa ser vantajosa para o governo, ao limitar a margem para concessões. No entanto, o Fórum espera que sejam implementadas reformas estruturais que, embora não tenham um grande impacto orçamental, possam contribuir para o crescimento da economia nacional.
Os dados preliminares do terceiro trimestre de 2023 revelam um desempenho económico misto, sugerindo alguma timidez. O Fórum para a Competitividade acredita que o consumo das famílias poderá ser impulsionado pelo aumento do emprego e pela alteração das tabelas de IRS. Contudo, a descida das taxas de juro já não deverá ter um efeito positivo no consumo, uma vez que os mercados financeiros não esperam cortes adicionais por parte do Banco Central Europeu (BCE) até ao final do ano.
No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal registou uma recuperação, passando de uma queda de 0,4% para um crescimento de 0,6% em cadeia. Isso resultou numa aceleração homóloga do PIB, que passou de 1,7% para 1,9%. O setor turístico, por sua vez, teve um contributo significativo para a economia, com um impacto total de 34 mil milhões de euros no PIB em 2024, representando 11,9% do total. No entanto, o emprego neste setor correspondeu a apenas 9,8% do total, com salários abaixo da média nacional.
As exportações de bens mostraram sinais de estagnação em junho, após um ligeiro aumento no mês anterior. Destacam-se as subidas nas exportações para a Alemanha (16,4%) e Reino Unido (22,2%), enquanto as exportações para os EUA caíram drasticamente em 39,4%, possivelmente devido a tarifas comerciais.
O mercado de trabalho também apresentou melhorias, com a população ativa a crescer de 2,2% para 2,7% e o emprego a acelerar ainda mais, de 2,4% para 2,9%. Como resultado, a taxa de desemprego caiu de 6,6% para 5,9%, o nível mais baixo desde o segundo trimestre de 2020. A agência de rating S&P subiu a notação da República de Portugal para A+, refletindo uma perspectiva estável e superando a de países como Espanha e Itália.
A produtividade, medida pelo rácio entre o PIB e o número de pessoas empregadas, estabilizou em 0,2%, um valor considerado baixo. Em contrapartida, a produtividade baseada nas horas trabalhadas aumentou de 0,2% para 0,7%, embora ainda não seja suficiente para uma verdadeira convergência com a União Europeia.
A nível internacional, o Fórum para a Competitividade alerta para o elevado risco associado à situação económica de França, que enfrenta dificuldades em reduzir um défice público próximo de 6% do PIB. Além disso, a incerteza em torno da independência da Reserva Federal dos EUA, especialmente com as declarações de Trump, pode afetar as expectativas de inflação e provocar um aumento das taxas de juro a longo prazo.
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OE2026 OE2026 OE2026 Nota: análise relacionada com OE2026.
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Fonte: Sapo





