Na recente edição da revista “New Yorker”, o jornalista Sam Knight dedicou um extenso artigo de 12.000 palavras à vida de Patrick Drahi, um dos empresários mais influentes do setor das telecomunicações e agora à frente da Sotheby’s. O foco do artigo recai sobre uma decisão controversa: a reformulação da estrutura de comissões da famosa casa de leilões.
Patrick Drahi, nascido em Casablanca e filho de emigrantes marroquinos, construiu a sua fortuna a partir do zero. Com um percurso notável, fundou a Altice, um gigante das telecomunicações, e diversificou os seus investimentos. Em 2016, obteve a nacionalidade portuguesa, o que se tornou um ponto de interesse na sua biografia. A sua gestão na Sotheby’s, adquirida em 2019 por 3,7 mil milhões de dólares, tem sido marcada por decisões audaciosas, mas também por controvérsias.
A nova política de comissões da Sotheby’s, anunciada em fevereiro de 2024, visava padronizar as comissões dos vendedores, limitando-as a 10% sobre os primeiros 500.000 dólares do preço de martelo. No entanto, essa abordagem revelou-se problemática. Em dezembro do mesmo ano, a casa de leilões reconheceu que a busca por “transparência, simplicidade e justiça” nas comissões resultou na perda de negócios significativos.
Knight relata que muitos colaboradores da Sotheby’s consideraram a gestão de Drahi, especialmente no que toca às comissões, como um dos momentos mais baixos da história da empresa. A comparação com a obsessão de Trump por tarifas comerciais não tardou a surgir, com antigos funcionários questionando a lógica por trás das mudanças. A queda acentuada nas receitas da leiloeira, apenas seis meses após a implementação da nova política, levou a uma pressão crescente por parte dos membros do Conselho de Administração.
Em junho de 2024, a situação tornou-se insustentável. Grégoire Billaut, presidente de Arte Contemporânea, expressou a sua frustração diretamente a Drahi, alertando para a perda de negócios. A resposta do empresário foi direta e contundente: “Isto não é uma democracia. É a minha empresa e quem a dirige sou eu.” Esta abordagem agressiva e a reestruturação da empresa, que incluiu cortes de pessoal e salários, resultaram na perda de especialistas e quota de mercado para a concorrente Christie’s.
O setor leiloeiro, que se baseia em relações de confiança e sensibilidade estética, enfrenta agora um momento de incerteza. A reputação da Sotheby’s está em jogo, assim como a de Patrick Drahi, que prometeu modernizar a empresa, mas cuja estratégia tem gerado divisões e críticas. O futuro da Sotheby’s sob a sua liderança permanece incerto, e a questão das comissões continua a ser um tema quente de discussão.
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Fonte: Sapo





