O presidente interino do partido Anamola, Venâncio Mondlane, manifestou hoje o desejo de que a sua formação política integre a comissão técnica do diálogo político em Moçambique. Esta declaração surge após o chefe de Estado, Daniel Chapo, ter descartado a necessidade de cartas ou requerimentos para participar no processo.
Mondlane, que se encontrava presente na cerimónia de lançamento da auscultação pública sobre o diálogo político, afirmou que ainda não recebeu resposta à carta enviada ao Presidente em 25 de agosto, onde solicitava a inclusão do Anamola no diálogo. “Estive aqui como membro do Conselho de Estado, mas não fui convidado para fazer parte do diálogo ou da comissão técnica. Queremos participar porque temos propostas concretas”, sublinhou.
O Anamola, partido criado por Mondlane, pediu a discussão da sua integração no diálogo político no parlamento. Durante o evento, Daniel Chapo reiterou que o diálogo é um “espaço de escuta” e que todos os moçambicanos estão convidados a participar, sem necessidade de formalidades. “Neste processo, todas as vozes contam. Não há excluídos”, afirmou o Presidente.
Em resposta, Mondlane defendeu que a formalização do pedido através de uma carta é parte do processo constitucional moçambicano. “Fazer um requerimento é normal dentro do nosso quadro constitucional. O processo de inclusão é muito defeituoso”, criticou, referindo-se aos desafios que o país enfrenta no caminho para a pacificação.
O político destacou a urgência de “atos concretos” que promovam a reconciliação, lembrando que o país ainda enfrenta sérias dificuldades. “Não podemos falar de diálogo quando o país está a sangrar. Precisamos de ações que realmente conduzam à paz”, enfatizou.
A auscultação pública nacional e na diáspora, que começou hoje, visa discutir temas como um novo modelo eleitoral e a revisão da Constituição da República. Este processo é parte do Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo, promulgado por Daniel Chapo em abril, após um acordo com os partidos políticos para enfrentar a violência e a agitação social que se seguiram às eleições gerais de outubro.
O acordo resultou na criação da Comissão Técnica para o Diálogo Nacional (Cote), que terá a responsabilidade de definir um novo modelo eleitoral, promover a reconciliação e trabalhar na unidade nacional. Moçambique tem vivido um clima de agitação social desde as eleições de 9 de outubro de 2024, com manifestações lideradas por Mondlane, que contesta os resultados eleitorais que deram a vitória a Chapo, da Frelimo.
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Fonte: Sapo





