Nos últimos três anos, três empresas cotadas na bolsa portuguesa, nomeadamente os CTT, a Mota-Engil e o Banco Comercial Português (BCP), conseguiram mais do que duplicar o seu valor de mercado. As valorizações foram impressionantes, com os CTT a registarem um aumento de 128%, a Mota-Engil a alcançar 315% e o BCP a surpreender com uma valorização de 387%, de acordo com os dados de 12 de setembro.
Carlos Rodrigues, presidente da Maxyield, destaca que os CTT apresentam um “potencial interessante” de valorização adicional de 23,6%. O BCP, por sua vez, tem espaço para crescer até 6,45%, embora Rodrigues aponte que a empresa enfrenta desafios em termos de resiliência da sua margem financeira. A Mota-Engil, apesar da sua impressionante valorização, mostra sinais de esgotamento, com um potencial de apenas 1,83%.
Os analistas apontam que o crescimento destas empresas foi impulsionado por fatores internos específicos, como reestruturações, expansão internacional e adaptação a novos segmentos de mercado. Além disso, beneficiaram de um contexto económico favorável, com o BCP a tirar proveito de taxas de juro elevadas que aumentaram a sua rentabilidade e atratividade para os investidores. É importante notar que, apesar das valorizações significativas, as ações ainda estão abaixo dos níveis anteriores à crise da dívida soberana em 2011.
Carlos Rodrigues sublinha que, antes de 2023, as cotações destas empresas estavam “deprimidas” e não acompanhavam o crescimento do índice PSI. O aumento dos lucros por ação foi um fator determinante para a valorização. O BCP e a Mota-Engil registaram um aumento acentuado dos lucros em 2023, enquanto os CTT enfrentaram uma ligeira regressão em 2024 devido a receitas não recorrentes.
Outro ponto a destacar é a elevada rentabilidade das empresas, com a Mota-Engil a liderar em termos de rentabilidade dos capitais próprios. A presença de investidores internacionais significativos e um free float superior a 50% também contribuíram para a confiança do mercado e a liquidez das ações.
A política de dividendos destas empresas, com um pay out entre 35% e 50%, permitiu uma boa dividend yield, o que influenciou positivamente a sua valorização em bolsa. A média de dividend yield para 2023 e 2024 foi de 8% para o BCP, 4,5% para os CTT e 5% para a Mota-Engil.
Além disso, a relação entre as cotações e o capital próprio por ação tem sido favorável, com os CTT a apresentarem uma relação superior a 1, o que limitou o seu crescimento em comparação com as outras duas empresas. O BCP, que antes tinha cotações inferiores ao valor do capital próprio, viu a sua situação inverter-se em 2024.
Mudanças na gestão executiva também desempenharam um papel importante no aumento das cotações. Tanto os CTT como a Mota-Engil iniciaram o seu ciclo de crescimento num contexto de alterações na liderança, enquanto o BCP beneficiou da estabilidade na sua gestão.
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Fonte: Sapo





