O Banco Central Europeu (BCE) divulgou recentemente dados que indicam uma significativa desaceleração na pressão salarial na Zona Euro, prevendo que o crescimento dos salários negociados desça para 1,7% no primeiro semestre de 2026. Este valor representa uma queda em relação aos 2,1% registados no segundo semestre de 2025 e aos 4,3% da primeira metade deste ano. Esta tendência de estabilização dos salários é vista como um sinal positivo para a inflação, que deverá manter-se próxima do objetivo de 2% nos próximos anos.
O sistema de acompanhamento salarial do BCE, conhecido como ECB wage tracker, mostra uma clara trajetória descendente nas negociações coletivas de trabalho. De acordo com o relatório publicado, “os sinais do ECB wage tracker para a primeira metade de 2026 sugerem um crescimento salarial mais baixo e mais estável”. O indicador, que não inclui pagamentos únicos, deverá fixar-se em 2,5%, também em queda.
Esta evolução é parcialmente atribuída ao “impacto mecânico de grandes pagamentos únicos realizados em 2024, que não se repetirã em 2025”, conforme justifica o BCE. Além disso, a antecipação de aumentos salariais em certos setores em 2024 também contribui para esta desaceleração.
Os dados do BCE estão alinhados com as projeções macroeconómicas de setembro de 2025, que estimam uma taxa de crescimento anual da remuneração por trabalhador na Zona Euro de 3,4% em 2025 e 2,7% em 2026. Contudo, o BCE alerta que o ECB wage tracker pode estar sujeito a revisões e que a componente prospetiva deve ser interpretada com cautela, uma vez que reflete apenas a informação disponível sobre acordos de negociação coletiva ativos.
Um ponto importante a destacar é a cobertura limitada dos dados prospetivos. Para a primeira metade de 2026, o BCE estima que apenas 29,7% dos trabalhadores estejam cobertos, uma descida significativa em comparação com os 46,3% do quarto trimestre de 2025. “Os sinais do ECB wage tracker para a primeira metade de 2026 deverão tornar-se mais completos à medida que novos acordos salariais forem assinados”, afirma o BCE.
A tendência de estabilização dos salários é vista como um fator positivo para a inflação, permitindo à autoridade monetária manter uma abordagem cautelosa na gestão da política monetária. Leia também: O impacto da inflação nos salários em Portugal.
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Fonte: ECO





