Governança Corporativa e Inteligência Artificial: Desafios e Oportunidades

Nos últimos cem anos, as empresas têm aprendido a imitar modelos de sucesso. Henry Ford revolucionou a produção em massa, enquanto Michael Porter destacou a importância do posicionamento competitivo. Contudo, essa era parece ter chegado ao fim. A transição de uma economia de oferta para uma de procura tem vindo a acelerar, especialmente com o advento de tecnologias emergentes, sendo a Inteligência Artificial (IA) um dos principais motores dessa mudança.

A transformação que estamos a viver é profunda. O foco deixou de ser apenas a competição interna para abraçar uma abordagem mais holística, que considera ecossistemas, interdependências e múltiplas partes interessadas. Atualmente, as empresas são pressionadas a adotar práticas de transparência, partilha de informação e confiança em tempo real. O Sarbanes-Oxley Act (SOX) foi um marco ao exigir a divulgação de controlos internos e riscos, mas a evolução não parou por aí. Hoje, é imperativo demonstrar como as empresas garantem a sustentabilidade e criam valor de forma consistente.

As organizações enfrentam um ambiente regulatório cada vez mais complexo, que abrange questões ambientais, sociais e de governança, bem como a qualidade da informação, cibersegurança e uso responsável da tecnologia, com um foco crescente na IA. Muitas empresas, no entanto, têm reagido de forma improvisada, adiando decisões ou invocando a falta de recursos. Esta abordagem pode ser fatal a médio prazo. As empresas que não evoluírem para práticas robustas de governança e estratégias conscientes de adoção de IA poderão enfrentar um futuro sombrio. O impacto é doloroso, não apenas para acionistas e gestores, mas também para os trabalhadores.

A fragilidade na governança corporativa não é apenas um risco interno; tornou-se uma ameaça sistémica. Cada falha, seja um incidente de cibersegurança ou um erro de conformidade, mina a confiança, que é o ativo mais valioso de qualquer organização. Alguns defendem que a solução passa por mais regulação, mas isso não é suficiente. A regulação estabelece mínimos, mas não transforma empresas ineficazes em líderes de mercado. A nova economia exige uma adaptação rápida e eficaz.

Leia também  FMI aprova novo programa de ajuda de 7 mil milhões à Ucrânia

Estamos a assistir ao fim da era da governança corporativa superficial. A questão agora é consolidar mecanismos que sustentem a criação de valor em ambientes voláteis. A IA pode ser o impulso necessário para acelerar essa transformação, mas o sucesso depende de líderes que desenvolvam competências em governança, interpretem riscos emergentes e integrem a literacia digital nas suas práticas de gestão. Isso requer uma preparação estruturada e uma articulação clara entre tecnologia, estratégia e liderança.

Programas como o IA para Administradores do Instituto Português de Corporate Governance não são meras curiosidades formativas, mas sim ferramentas essenciais para a sobrevivência e competitividade num mundo onde a confiança é o capital mais valioso. As empresas que não se adaptarem a esta nova realidade arriscam-se a perder o único ativo que não podem dar-se ao luxo de perder.

Leia também: A importância da literacia digital nas empresas modernas.

governança corporativa governança corporativa governança corporativa Nota: análise relacionada com governança corporativa.

Leia também: Avanços na Saúde Digital: Transformação e Oportunidades

Fonte: Sapo

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top