O governo dos Estados Unidos enfrenta o seu 20º shutdown nos últimos 50 anos, sendo este o terceiro sob a presidência de Donald Trump. Este impasse financeiro surge devido à incapacidade do Congresso em chegar a um acordo sobre a liberação de fundos para o governo federal, uma situação que tem sido utilizada como arma política ao longo das últimas décadas.
Atualmente, cerca de 750 mil trabalhadores federais correm o risco de suspensão, o que representa um custo diário de 400 milhões de dólares. Além disso, a paralisação pode resultar no congelamento de salários de soldados, na interrupção de serviços de agências federais e na suspensão da divulgação de dados económicos cruciais, como o relatório de emprego, que é monitorizado de perto por analistas económicos. Outros efeitos incluem a suspensão de investigações científicas e atrasos nas viagens aéreas.
Neste momento, os democratas estão a lutar para manter subsídios no setor da saúde, que expiram no final do ano, e pretendem torná-los permanentes. A pressão sobre o partido é intensa, uma vez que os apoiantes estão “frustrados” com a agenda de Donald Trump, conhecida como MAGA (Make America Great Again). A oposição procura, assim, garantir uma vitória antes das eleições intercalares de 2026, que determinarão o controlo do Congresso nos dois últimos anos do mandato de Trump.
Se o shutdown se prolongar por três semanas, a taxa de desemprego pode aumentar para 4,6-4,7%, a partir dos 4,3% registados em agosto, segundo previsões da Bloomberg. Embora a divulgação de dados oficiais não seja a questão mais premente neste contexto, a falta de informações estatísticas pode dificultar a tomada de decisões pela Reserva Federal. Ben Casselman, editor do New York Times, alerta que a ausência de dados pode levar a erros nas decisões económicas, resultando em um aumento do desemprego ou uma inflação acelerada.
Os serviços mais afetados incluem os dados estatísticos, centros de visitantes em parques e monumentos, além de áreas como investigação médica e museus. Durante o último shutdown, muitos trabalhadores federais recorreram a bancos alimentares, evidenciando a gravidade da situação para aqueles que dependem do pagamento regular.
Os republicanos no Senado necessitam do apoio de oito democratas para aprovar o financiamento do governo. Chuck Schumer, líder dos democratas no Senado, afirmou que “estão a tentar intimidar-nos e não vão ter sucesso”. Por outro lado, Trump, que prometeu despedir 300 mil trabalhadores federais até ao final do ano, advertiu que a estratégia dos democratas pode levar a cortes “irreversíveis” em empregos públicos e programas governamentais.
O último shutdown durante o primeiro mandato de Trump teve um impacto económico negativo de 11 mil milhões de dólares. Embora a economia normalmente consiga recuperar após tais eventos, neste caso, 3 mil milhões de dólares nunca foram recuperados, de acordo com o Congressional Budget Office.
Por enquanto, os mercados financeiros mantêm-se relativamente calmos, com Wall Street a negociar ligeiramente em terreno negativo. Os investidores parecem estar habituados a estes shutdowns, mas a tensão pode aumentar à medida que o tempo avança. O preço do ouro atingiu um novo recorde, com os investidores a procurarem segurança em ativos refúgio devido à instabilidade política nos EUA. O ouro já subiu quase 50% este ano, a caminho do maior ganho anual desde 1979.
O professor Robert Pape, da Universidade de Chicago, destaca que a crescente radicalização de ambos os partidos torna difícil a obtenção de um consenso. “As regras da política estão a mudar e não sabemos como isto tudo vai acabar”, afirmou, enfatizando a dificuldade de cada lado recuar perante a pressão de apoiantes radicais.
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Fonte: Sapo





