A rede de radioamadores nos Açores tem um papel fundamental na manutenção das comunicações entre as ilhas, especialmente em situações de emergência, como falhas de energia provocadas por mau tempo ou sismos. Ao longo dos anos, estes voluntários têm demonstrado a sua importância em momentos críticos, como sublinha Bruno Farias, secretário da Associação de Radioamadores dos Açores (ARA), a primeira a ser criada na região, em 1976. “Estamos sempre aqui para ajudar, seja numa emergência, urgência ou mesmo no dia-a-dia. Há sempre um radioamador à escuta, pronto a ouvir um pedido de socorro”, afirma.
A rede é composta por seis associações, distribuídas por várias ilhas: uma em São Miguel, outra em Santa Maria, Faial, São Jorge e duas na ilha Terceira. A mais recente associação é a de São Jorge, que foi fundada há apenas dois anos. Bruno Farias destaca que os radioamadores açorianos têm sido chamados a intervir em várias situações de emergência, incluindo o sismo de 1998 no Faial e a derrocada na Ribeira Quente, em 1997, que resultou na tragédia de 29 vidas perdidas. Também estiveram ativos durante a passagem do furacão Lorenzo, em 2019.
Apesar dos avanços tecnológicos, como a crescente implementação de sistemas de satélite, Farias alerta para o risco de uma ilha ficar completamente isolada em caso de catástrofes naturais. “Fizemos ligação com a Proteção Civil e ajudámos a conectar residentes com familiares no exterior. Durante a passagem do furacão, enviámos mensagens entre famílias até que as comunicações fossem restabelecidas”, conta.
Mais recentemente, durante o furacão Gabrielle, em setembro, a rede de radioamadores teve um papel crucial na manutenção das comunicações interilhas, garantindo a continuidade das ligações em situações de falha de energia. Esta operação conjunta, que envolveu várias associações, demonstrou a importância da cooperação e da preparação da comunidade de radioamadores.
Os radioamadores estiveram de prevenção durante toda a noite, com grande adesão. “Pela primeira vez, juntaram-se todas as associações dos Açores”, revela Farias. Cada ilha contou com pelo menos um operador disponível, muitos com mais do que uma estação ativa, e com canais diretos para entidades oficiais, como a Proteção Civil e os bombeiros.
A fiabilidade das comunicações dos radioamadores é um dos seus pontos fortes, mesmo nas condições mais adversas. “Temos acesso a um largo espectro de frequências, o que nos permite comunicar com qualquer parte do mundo, desde que tenhamos um equipamento ligado a uma bateria”, explica Farias.
Além das comunicações de emergência, os radioamadores mantêm-se ativos em serviços de apoio diário, promovendo um espírito de entreajuda que pode fazer a diferença em momentos de crise. “É esse o nosso plano e compromisso”, conclui o secretário da ARA, recordando a amizade que mantém com um faroleiro na ilha das Flores, que o apoiou numa altura em que “nas Lajes não havia nem telefone, nem internet, nada”.
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Fonte: Sapo





