A Bolsa de Paris registou uma queda de 2% esta segunda-feira, refletindo a instabilidade política em França após a demissão do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu. Esta decisão ocorre menos de um mês após a sua nomeação, gerando incertezas no mercado financeiro.
A demissão de Lecornu, que também afetou a composição do Governo, teve um impacto imediato na dívida soberana francesa. No mercado secundário, a yield das obrigações a 10 anos disparou 7,4 pontos base, fixando-se em 3,585%. Este aumento levou o prémio exigido pelos investidores para manter a dívida francesa, em comparação com os títulos alemães de maturidade equivalente, a atingir 86,58 pontos base, o nível mais alto desde janeiro.
Kirstine Kundby-Nielsen, analista do Danske Bank, expressou preocupação com a rápida mudança de governo, afirmando que “é preocupante que o novo gabinete tenha durado apenas 12 horas”. Segundo a analista, a falta de apoio no parlamento para aprovar um orçamento poderá resultar em novas subidas nas yields e pressão sobre a taxa de câmbio euro-dólar no curto prazo. O euro desvalorizou-se 0,7% face ao dólar, situando-se em 1,1665 dólares.
A Bolsa de Paris lidera as perdas na Europa, enquanto o índice IBEX espanhol recua 0,13% e o FTSE MIB italiano desce 0,24%. No CAC 40, o setor financeiro foi o mais afetado, com o Société Générale a cair 5,29%, o BNP Paribas a descer 4,46% e o Crédit Agricole a perder 4,40%.
Chris Beauchamp, analista-chefe de mercado do IG Group, comentou que “é apenas um governo após o outro”, referindo-se à instabilidade política que afeta os ativos franceses e que pode ter um efeito cascata sobre o resto da Europa. Beauchamp acrescentou que esta situação gera cautela entre os investidores, dada a incerteza que provém de França, que ainda não conseguiu encontrar uma solução para o seu mal-estar político.
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Bolsa de Paris Bolsa de Paris Bolsa de Paris Nota: análise relacionada com Bolsa de Paris.
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Fonte: ECO





