Mário Centeno deixou hoje oficialmente o cargo de governador do Banco de Portugal, encerrando o seu mandato com um tom de confronto. Desde a sua entrada na instituição, Centeno teve um relacionamento conturbado com o seu antecessor, Carlos Costa, e agora sai em desacordo com aqueles que não aprovaram a sua promoção a diretor antes de se tornar consultor. A decisão sobre a promoção foi adiada para uma reunião presidida por Álvaro Santos Pereira, que assume o cargo hoje. Na sua carta de despedida, Centeno fez uma referência a um famoso economista do Banco de Portugal, afirmando que o desafio é que “a boa moeda expulse a má moeda”.
Durante o seu mandato, Centeno, que anteriormente foi diretor-adjunto do Banco de Portugal, destacou várias conquistas, incluindo a recuperação do sistema bancário após a crise financeira. No entanto, a sua saída não foi pacífica. A proposta de promoção a diretor foi votada e resultou num empate, gerando tensões que levaram ao cancelamento de um tradicional almoço de despedida.
Apesar das controvérsias, Centeno continuará ligado ao Banco de Portugal como consultor, recebendo um salário bruto de cerca de 17 mil euros. Curiosamente, conseguiu manter o seu gabinete na sede do banco, evitando a transferência para um edifício secundário. A sua carta de despedida, com mais de três mil palavras, reflete sobre o seu legado e as mudanças implementadas durante o seu tempo à frente da instituição.
Na carta, Centeno fez questão de agradecer às equipas do Banco de Portugal, destacando a importância da análise económica e da literacia financeira. Ele mencionou que, durante o seu mandato, foram realizadas diversas iniciativas para promover a educação financeira junto dos jovens, um aspecto que considera crucial para o futuro do país. “Aquilo que se pede é olho no spread e na taxa de esforço”, sublinhou.
Além disso, Centeno abordou a questão da inflação, que voltou a ser uma preocupação durante o seu mandato. Ele enfatizou que a política monetária do Banco de Portugal teve como objetivo garantir a estabilidade de preços, sem descurar o crescimento económico. A sua abordagem foi sempre focada em encontrar um equilíbrio entre a estabilidade financeira e o desenvolvimento económico.
Ao concluir a sua carta, Centeno deixou recados para aqueles que, segundo ele, falharam em respeitar os valores e a ética do Banco de Portugal. “Lamento profundamente que alguns tenham atuado desrespeitosamente para com a história e os valores da nossa instituição”, afirmou. Ele também prometeu continuar a apoiar o Banco de Portugal nos próximos anos, reafirmando o seu compromisso com a instituição.
Com a saída de Mário Centeno, o Banco de Portugal inicia um novo capítulo sob a liderança de Álvaro Santos Pereira. A continuidade do trabalho realizado e a busca pela excelência na gestão financeira serão, sem dúvida, desafios que o novo governador terá pela frente.
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Fonte: ECO





