Pacote energético desbloqueia 40 mil milhões em investimentos

A rede elétrica em Portugal está a ganhar um novo impulso, deixando de ser considerada o “parente pobre” do setor energético. Com a crescente necessidade de eletricidade para grandes projetos industriais, a capacidade de produção de energias renováveis, como a eólica e a solar, deverá aumentar em 25% até 2026. No entanto, o avanço da rede elétrica tem sido mais lento do que o desejado.

Recentemente, o Governo anunciou um pacote energético que visa desbloquear 40 mil milhões de euros em investimentos relacionados com a transição energética e a Inteligência Artificial. Este pacote não se limita apenas à legislação, mas sim à sua capacidade de impulsionar investimentos industriais cruciais para o país.

Atualmente, há uma forte procura de eletricidade em diversas regiões, com investidores interessados em desenvolver centros de dados, projetos industriais e iniciativas de hidrogénio verde. Para que esses projetos se concretizem, é essencial que haja uma rede elétrica disponível e capaz de suportar essa demanda.

A ministra do Ambiente e da Energia sublinhou a importância de simplificar os procedimentos para a criação de zonas de grande procura de eletricidade. “Temos muita procura e queremos tornar a criação dessas zonas mais simples”, afirmou. O anterior Governo já tinha criado um mecanismo para estas zonas, mas a atual administração pretende clarificar alguns aspetos para facilitar o investimento.

Recentemente, foram contabilizados cerca de 40 mil milhões de euros em pedidos de investimento, embora a governante tenha alertado que nem todos se concretizarão. “Temos cerca de 30 pedidos para centros de dados que também estão a ser avaliados em outros países”, explicou Maria da Graça Carvalho, o que indica que os números reais podem ser inferiores.

As novas zonas de grande procura incluem Sines, Lisboa, Abrantes e Castelo Branco, com a possibilidade de uma nova zona em Estarreja. O Governo já aprovou um decreto-lei que visa simplificar a criação destas zonas, tendo em conta que a primeira zona em Sines atraiu 17 projetos, mas apenas 1,5 gigawatts estavam disponíveis.

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Entre os projetos que solicitaram ligação em Sines, destacam-se a Águas de Santo André e várias entidades como StartCampus e Repsol, cada uma com dois projetos. A ministra enfatizou a necessidade de regras claras para garantir que os pedidos correspondam a projetos concretos e viáveis.

O novo decreto-lei aprovado pelo Conselho de Ministros visa alterar o regime do procedimento excecional para a atribuição de capacidade de ligação à Rede Elétrica de Serviço Público. Com estas alterações, espera-se que o processo se torne mais simples e expedito, superando os constrangimentos existentes e assegurando a concretização dos novos investimentos industriais estratégicos em Portugal.

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Fonte: Sapo

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