Álvaro Santos Pereira, o novo governador do Banco de Portugal, tomou posse num local simbólico: o Museu do Dinheiro. Durante a cerimónia, destacou a importância da independência do banco central, especialmente num momento em que essa questão tem sido debatida. No seu discurso inaugural, Santos Pereira delineou as cinco prioridades que guiarão a sua atuação nos próximos anos.
Uma das principais mudanças que pretende implementar é a introdução de concursos para a contratação de diretores e diretores adjuntos do Banco de Portugal. Esta medida visa aumentar a transparência e promover a meritocracia dentro da instituição. A decisão pode ter impacto nas intenções do seu antecessor, Mário Centeno, que tentava aprovar a sua promoção antes da nova liderança.
Santos Pereira também anunciou que irá propor a revisão da lei orgânica do Banco de Portugal, argumentando que a legislação atual não reflete as ambições de um banco central moderno. Para ele, a modernização é essencial para que o Banco de Portugal possa ser pioneiro em várias áreas.
Outro ponto que o novo governador enfatizou foi a preocupação com os “dramáticos” preços da habitação. Santos Pereira manifestou a intenção de monitorizar de perto a evolução do mercado imobiliário e o seu impacto nas famílias. Reconheceu as medidas do Governo para apoiar os jovens na aquisição de casa, mas defendeu que é necessário fazer mais para desbloquear a oferta. Para ele, é fundamental que as autarquias agilizem os processos de licenciamento e combatam a falta de mão-de-obra no setor da construção.
Santos Pereira sublinhou que só aumentando a oferta de habitação se conseguirá evitar o aumento descontrolado dos preços e as suas repercussões na estabilidade financeira.
Além disso, o novo governador manifestou a necessidade de simplificar a regulação do setor financeiro. Santos Pereira acredita que as leis e regulações devem ser descomplicadas para favorecer um melhor desempenho económico. Ele propôs eliminar legislações redundantes e tornar o quadro regulatório mais ágil e coerente.
Outra prioridade é a reativação do Conselho Nacional para a Estabilidade Financeira, que permitirá um diálogo regular entre o Governo, o Banco de Portugal e outros supervisores financeiros. Este conselho será fundamental para discutir riscos e promover a literacia financeira.
Por último, Santos Pereira pretende colocar o Banco de Portugal na vanguarda de debates internacionais sobre questões como o envelhecimento da população, inteligência artificial e mudanças climáticas. Ele propõe a realização de uma grande conferência anual com outros bancos centrais para discutir estes desafios e as suas implicações para a política monetária.
Com estas prioridades, Álvaro Santos Pereira espera não só modernizar o Banco de Portugal, mas também contribuir para a estabilidade financeira do país. Leia também: O impacto da nova liderança no setor bancário.
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Fonte: ECO





