Cimeira da SCO: Novo rumo para a multipolaridade global

A 25ª Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), realizada em Tianjin, China, de 31 de agosto a 1 de setembro de 2025, destacou-se como um marco significativo nas relações internacionais. Este encontro reuniu 20 Chefes de Estado, incluindo António Guterres, Secretário-Geral da ONU, e constituiu o maior evento da SCO até à data. A Cimeira da SCO não só reforçou a importância da cooperação entre os países membros, como também lançou as bases para uma nova ordem mundial.

Durante a Cimeira, foi emitido um Manifesto que defende a multipolaridade e a reforma das instituições globais, como a ONU. Os líderes presentes manifestaram a necessidade de combater as taxas alfandegárias que prejudicam o progresso regional e global, enfatizando que estas medidas não têm fundamento na racionalidade económica. A Cimeira da SCO posicionou-se contra as políticas dos EUA, que, segundo os líderes, ferem os interesses das populações em todo o mundo.

A Cimeira também foi palco de um encontro notável entre Narendra Modi, Primeiro-Ministro da Índia, e Xi Jinping, Presidente da China, que não se viam há sete anos devido a tensões fronteiriças. Este diálogo é um sinal de que as relações entre os dois países estão a evoluir para uma maior cooperação, com ambos a reconhecerem a importância de serem parceiros e não rivais. A retoma de voos entre Índia e China, suspensos desde 2020, é um passo concreto nesta nova fase de entendimento.

Além disso, a Cimeira da SCO reforçou a ideia de que a China, a Índia e a Rússia estão a aprofundar as suas relações, formando um “triângulo de potências” que desafia a hegemonia ocidental. No entanto, analistas alertam que, apesar das críticas comuns à política externa dos EUA, não se pode afirmar que este triângulo constitua uma aliança anti-Washington, dado que cada país mantém a sua própria diplomacia.

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A Cimeira da SCO também resultou na aprovação de vários documentos importantes, incluindo a Declaração de Tianjin e a Estratégia de Desenvolvimento da SCO para 2035. Estes documentos visam promover a segurança, a cooperação económica e os intercâmbios culturais entre os países membros. A orientação da Cimeira certamente não passou despercebida ao Ocidente, que vê a crescente influência da SCO como uma ameaça à sua posição no cenário global.

Em suma, a Cimeira da SCO representa um passo decisivo para a multipolaridade e a reforma das instituições internacionais. À medida que mais organizações autónomas surgem, como os BRICS+, o Ocidente enfrenta um novo desafio na sua capacidade de influência global. A Cimeira da SCO não só reafirma a importância da colaboração entre os países membros, mas também redefine o futuro das relações internacionais.

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Fonte: Sapo

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