A semana começou de forma agitada com a demissão do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, um acontecimento que teve um impacto significativo nos mercados financeiros. A bolsa de valores francesa registou uma queda de 1,36%, encerrando o dia nos 7.971,78 pontos.
Os bancos foram os mais afetados, com o Société Générale a sofrer uma desvalorização de 4,23%, enquanto o Credit Agricole viu a sua cotação cair 3,42%. Outras grandes empresas, como a Saint-Gobain e o BNP Paribas, também registaram perdas de 3,44% e 3,21%, respetivamente. Esta demissão, que ocorre menos de um mês após a sua nomeação, teve repercussões na dívida pública francesa, com as yields das obrigações a 10 anos a subirem 7,4 pontos base.
Analistas da XTB comentam que, em resposta imediata à demissão, o euro desvalorizou e o índice CAC 40 reagiu negativamente. O diferencial entre as taxas de juro das obrigações alemãs e francesas a 10 anos aumentou, atingindo o seu nível mais elevado desde janeiro do ano passado. Este diferencial é um indicador importante do risco político e orçamental na zona euro, refletindo a crescente ansiedade dos investidores face à instabilidade política.
Além da demissão, os mercados estão atentos a uma proposta de cessar-fogo em Gaza, apresentada pelos EUA. Esta proposta inclui a libertação gradual de reféns e a entrega da administração do território a uma autoridade tecnocrática. Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, destaca que, apesar do progresso diplomático aparente, a resolução do conflito será complexa, levando os investidores a manterem cautela quanto a novas rupturas nas negociações.
A situação política na França não é a única preocupação dos investidores. O governo norte-americano continua em paralisação, o que tem atrasado a divulgação de dados económicos importantes. No entanto, o setor tecnológico está a gerar otimismo, especialmente após o acordo entre a OpenAI e a AMD, que poderá resultar na aquisição de 10% da empresa de hardware.
Os mercados iniciam a semana com um sentimento positivo, com os futuros das bolsas a subirem cerca de 0,3%. Os analistas do Bankinter referem que a expectativa de um acordo de paz em Gaza está a contribuir para este aumento. As referências imediatas incluem a possibilidade de reabertura da Administração Americana e os resultados trimestrais das empresas, que se espera que sejam suficientemente bons para sustentar o mercado.
Contudo, a continuidade do shutdown nos EUA poderá afetar a atuação da Reserva Federal (Fed), que prefere uma abordagem baseada em dados. Um encerramento prolongado poderá prejudicar a confiança empresarial e do consumidor, o que, segundo os analistas, poderia levar a Fed a considerar cortes nas taxas de juros, beneficiando assim as obrigações.
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Fonte: Sapo





