As famílias da Zona Euro demonstram uma resiliência notável em termos de poupança, mesmo face ao aumento do custo de vida. Os dados mais recentes do Banco Central Europeu (BCE), divulgados esta terça-feira, revelam que a taxa de poupança bruta das famílias se manteve inalterada em 15,2% no segundo trimestre de 2025, em comparação com o trimestre anterior. Este valor sugere uma estabilização após vários meses de ajustamentos, indicando que as famílias europeias conseguiram encontrar um equilíbrio entre o consumo e a poupança.
Além disso, o nível de endividamento das famílias na Zona Euro, medido pelo rácio “dívida-rendimento”, diminuiu para 81,5% no segundo trimestre de 2025, em comparação com 83,1% no mesmo período do ano anterior. Esta melhoria deve-se ao crescimento do rendimento disponível das famílias, que superou o aumento do endividamento.
Em termos de riqueza, as contas das famílias europeias mostram que o aumento do financiamento não resultou em um maior aperto financeiro. A riqueza líquida das famílias cresceu a uma taxa anual de 5%, o que contribui para uma maior estabilidade financeira. Este crescimento é impulsionado pela valorização dos ativos não financeiros e pelos investimentos.
Em Portugal, a situação apresenta algumas diferenças. A taxa de poupança das famílias subiu para 12,6% no segundo trimestre de 2025, um aumento de 0,2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. No entanto, o país enfrenta um crescimento do endividamento que não se via há 15 anos. O investimento habitacional também acelerou, com um aumento de 4,3% em Portugal, refletindo uma tendência semelhante na Zona Euro, onde o investimento não financeiro bruto das famílias cresceu 2,9%.
O financiamento das famílias europeias também registou um aumento significativo, com os empréstimos a crescerem 2% no segundo trimestre. Em Portugal, o endividamento dos particulares subiu 1,1 mil milhões de euros em julho, principalmente devido ao crédito à habitação. Este aumento representa um crescimento homólogo de 7,34%, colocando o stock de endividamento dos portugueses acima dos 167 mil milhões de euros, o que não acontecia desde março de 2011.
Os dados do BCE revelam que, apesar do aumento do volume de financiamento, as famílias continuam a manter uma disciplina poupadora. O investimento financeiro das famílias europeias cresceu a uma taxa estável de 2,5% no segundo trimestre, com destaque para os depósitos e numerário, que cresceram 2,9%. Os investimentos em ações e seguros de vida também registaram aumentos significativos.
Em suma, as famílias europeias estão a demonstrar uma capacidade de adaptação notável, equilibrando a poupança com o investimento, mesmo em tempos de incerteza económica. Leia também: O impacto do aumento do custo de vida na poupança das famílias.
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Fonte: ECO





