A transição para uma economia sustentável, com menos emissões e uma gestão eficiente dos recursos, é cada vez mais urgente. O custo dessa transformação ascende a triliões de dólares, e a maior parte desses recursos encontra-se no setor privado, onde os grandes poluidores continuam a beneficiar do atual modelo económico. Este modelo, que incentiva o consumo e aumenta as emissões de CO₂, precisa de ser alterado.
A União Europeia tem implementado legislação para promover a neutralidade carbónica, estabelecendo metas de emissões e penalizando os principais poluidores com taxas de carbono. Apesar disso, muitos dos grandes emissores continuam a operar como antes, limitando-se a pagar as multas. As políticas atuais são predominantemente punitivas, focadas no castigo em vez de incentivar mudanças significativas.
A ideia de uma moeda carbono, que recompensa a redução de emissões, surge como uma solução inovadora. Esta moeda seria atribuída por cada tonelada de CO₂ sequestrada e armazenada de forma permanente. O conceito é que qualquer agente económico, incluindo as grandes empresas petrolíferas, poderia gerar moeda carbono ao investir em energias renováveis ou tecnologias de sequestro de carbono. Desta forma, a poluição e a recuperação de carbono estariam desligadas, criando um novo valor económico.
A moeda carbono teria um valor indexado ao lucro, o que é crucial, uma vez que a transição energética exige investimentos significativos, acessíveis apenas a grandes investidores. O valor inicial da moeda teria de ser definido por bancos centrais e governos, garantindo uma estabilidade a longo prazo.
Alguns argumentam que podemos deixar a resolução do problema climático para as futuras gerações. Contudo, a realidade é que já estamos a aproximar-nos de pontos de não retorno climáticos, com consequências potencialmente devastadoras. A moeda carbono oferece uma solução prática: as moedas seriam atribuídas apenas a reduções verificáveis de emissões, promovendo um mecanismo orientado para resultados.
Além disso, a criação de uma autoridade monetária internacional poderia ajudar a gerir os impactos económicos da emissão de moeda carbono, coordenando-se com os bancos centrais. Embora o desafio seja complexo, a moeda carbono representa uma das raras oportunidades para enfrentar a crise climática em que nos encontramos.
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Fonte: Sapo





