A Associação Nacional de Farmácias (ANF) apresentou um conjunto de propostas para o Orçamento do Estado de 2026 (OE2026), visando a intervenção das farmácias em situações clínicas ligeiras. A presidente da ANF, Ema Paulino, destacou que estas medidas podem ter um “impacto direto” na “despressurização do Serviço Nacional de Saúde (SNS)” e na melhoria da saúde da população.
Entre as propostas, a ANF sugere a criação de um programa que permita às farmácias tratar casos como dor de garganta ou infeções urinárias. Esta abordagem, que já está em prática em países como França e Reino Unido, visa reduzir a afluência desnecessária às urgências. Ema Paulino sublinhou que a intervenção das farmácias pode ser feita através de testes rápidos que ajudam a identificar a causa dos sintomas e a encaminhar o tratamento adequado.
A ANF também defende a implementação de um serviço de acompanhamento farmacêutico para a renovação de terapêuticas crónicas, promovendo uma gestão mais eficaz dos medicamentos e uma vigilância ativa dos doentes crónicos. Um estudo da Universidade de York revelou que a gestão da medicação nas farmácias pode gerar poupanças significativas, com a revisão de planos terapêuticos a representar uma oportunidade de economizar até 712,9 milhões de euros.
Além disso, a ANF propõe a inclusão das farmácias em rastreios nacionais e na testagem rápida de infeções, como VIH e hepatites, com o objetivo de melhorar a cobertura de rastreios oncológicos, que atualmente é bastante inferior à média da União Europeia. Ema Paulino apontou que Portugal tem uma taxa de cobertura de rastreio do cancro colorretal de apenas 14%, comparado com 42% na média europeia.
A presidente da ANF defende que a intervenção das farmácias deve ser uma prioridade nas discussões sobre o OE2026, e que é fundamental garantir a sustentabilidade das farmácias e do SNS. Entre outras medidas, a ANF sugere a revisão das políticas de preço e comparticipação de medicamentos, bem como incentivos à manutenção de farmácias em áreas de baixa densidade populacional.
Ema Paulino enfatizou que as propostas da ANF reafirmam o papel essencial das farmácias comunitárias como “pilares de proximidade e confiança” no sistema de saúde, capazes de gerar poupanças para o Estado e benefícios para os cidadãos. A colaboração entre os setores público, privado e social é vista como crucial para garantir a sustentabilidade do sistema de saúde e assegurar o acesso equitativo aos cuidados.
Estas medidas visam não só reforçar o compromisso das farmácias com a sustentabilidade do sistema de saúde, mas também melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. A ANF acredita que a intervenção das farmácias em situações clínicas ligeiras pode ser uma solução eficaz para os desafios que o país enfrenta no domínio da saúde.
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Fonte: Sapo





