A obra-prima de Eça de Queirós, “Os Maias”, escrita entre 1880 e 1888, continua a influenciar diversas formas de arte, incluindo o bailado. A narrativa, que explora o amor incestuoso entre Carlos e Maria Eduarda, também serve como uma crónica da sociedade lisboeta do século XIX. Este contexto social, repleto de críticas à pequena burguesia e à elite política, é agora reinterpretado através da dança.
Os personagens de “Os Maias” são retratados com uma profundidade que revela tanto o lado trágico como o cómico da vida. Eça, com o seu humor satírico, dá vida a figuras que refletem a hipocrisia e os interesses pessoais da sociedade da época. O bailado que se inspira nesta obra promete trazer à cena esses dilemas humanos, permitindo ao público uma nova experiência estética e emocional.
A adaptação para bailado não só homenageia Eça de Queirós, mas também destaca a relevância das suas temáticas nos dias de hoje. A relação entre Carlos e Maria Eduarda, marcada por tabus e convenções sociais, ressoa com questões contemporâneas sobre amor e identidade. O coreógrafo responsável pela adaptação procura capturar a essência desta obra, utilizando a dança como meio para explorar as complexidades das relações humanas.
A estreia do bailado está prevista para breve, e promete ser um evento cultural marcante. A combinação de música, dança e a rica narrativa de “Os Maias” oferece uma oportunidade única para redescobrir a obra de Eça de Queirós sob uma nova luz.
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Os Maias Os Maias Nota: análise relacionada com Os Maias.
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Fonte: Sapo





