A Europa e a Necessidade de um Pivot para a Paz

A Europa, outrora reconhecida pela sua diversidade cultural e histórica, enfrenta atualmente um cenário de profundas fraturas. A recente declaração de Robert Fico, primeiro-ministro da Eslováquia, de que “nunca serei um primeiro-ministro em tempo de guerra”, reflete uma mudança de mentalidade em várias partes do continente. Para muitos, a prioridade já não é a derrota da Rússia, mas sim a busca de um fim imediato para o conflito.

A vitória de Andrej Babiš na Chéquia, que se seguiu à de Fico, reforçou um novo eixo de poder na Europa Central. Babiš, que se descreve como “pragmático” e favorável à União Europeia e à NATO, terá de lidar com a resistência de forças que questionam o apoio militar à Ucrânia. Este cenário revela a complexidade da política europeia, onde a Chéquia tenta reencontrar o seu papel histórico, enquanto a Europa mede o custo da sua divisão.

Embora a guerra na Ucrânia não esteja tecnicamente “congelada”, a situação no terreno é caracterizada por uma estagnação dinâmica. A linha de contacto entre as forças russas e ucranianas move-se lentamente, com ataques aéreos e avanços pontuais, mas sem uma resolução clara. Este “congelamento” do conflito tem implicações políticas significativas, dividindo a Europa em duas realidades distintas.

Por um lado, os países do Báltico e da Polónia vivem a guerra com intensidade, sentindo a ameaça russa como uma realidade iminente. Por outro lado, os Estados do Atlântico ao Mediterrâneo observam o conflito de forma mais distante, apoiando a Ucrânia por um dever moral. Entre estas duas realidades, há uma Europa intermédia, que tenta equilibrar as suas dependências energéticas e procura uma “política de cessar-fogo”, priorizando o fim rápido da guerra em vez da derrota da Rússia.

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Neste contexto, a necessidade de um “Pivot para a Paz” na Europa torna-se evidente. A Europa deve encontrar um consenso que inclua países como a Chéquia, a Eslováquia e a Hungria, sem ostracizá-los, e integrar as suas preocupações na arquitetura diplomática. Além disso, é crucial institucionalizar a indústria de defesa europeia, garantindo que a capacidade militar não dependa exclusivamente do ciclo político americano.

A Europa precisa de dois enviados especiais, com um mandato claro, para abrir canais de comunicação com Moscovo e Kyiv. É essencial que a Europa não se torne um mero objeto na história, mas sim um sujeito ativo que defenda a Ucrânia e negocie a paz. A falta de um pivot claro pode resultar em consequências desastrosas, tanto internamente, com a erosão do apoio à Ucrânia, como externamente, com um cessar-fogo que não garanta a segurança do continente.

A história recente mostra que a “paz dos outros” raramente é benéfica para a Europa. É imperativo que o continente encontre um denominador comum para defender a Ucrânia, negociar a paz e liderar o processo de resolução do conflito. O futuro da Europa depende da sua capacidade de se unir e ocupar o centro do seu próprio tabuleiro.

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Fonte: Sapo

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