O património financeiro global das famílias atingiu 301 biliões de dólares, o que equivale a 260 biliões de euros, em 2024. Este valor representa um aumento de 7% em relação a 2023 e de 8% em comparação com 2022. As projeções indicam que este património poderá alcançar 393 biliões de dólares (340 biliões de euros) até 2029, com uma taxa de crescimento anual composta de 5,5%.
O património dos clientes UHNWI, que possuem um património líquido superior a 25 milhões de euros, deverá crescer a uma taxa anual de 8,1%. Por outro lado, os HNWI, com património líquido de pelo menos 800 mil euros, deverão ver um crescimento de 6,6% ao ano até 2029. Este crescimento desproporcional reflete uma tendência crescente na gestão de património financeiro.
A gestão offshore também está a ganhar força, com 14 biliões de dólares (12 biliões de euros) sob gestão em centros offshore. Os fluxos transfronteiriços estão a crescer cerca de 10% anualmente, e espera-se que a Suíça, Hong Kong e Singapura captem cerca de dois terços das novas entradas de capital até 2029. Além disso, novos paraísos fiscais estão a emergir, como os Estados Unidos e os Emirados Árabes Unidos, que atraem capital da América Latina e expandem-se para além do Médio Oriente.
No que diz respeito à gestão de ativos, os valores globais atingiram máximos históricos, ultrapassando os 135 biliões de dólares (116 biliões de euros). Notavelmente, 80% deste crescimento deve-se a efeitos de mercado. Pela primeira vez, os fundos passivos superaram os fundos ativos em termos de ativos sob gestão. Embora os ativos privados tenham estagnado no último ano, espera-se que voltem a crescer, especialmente com a penetração no mercado retalhista. Em 2029, estima-se que os ativos privados representem 44% das receitas do setor.
Curiosamente, os ativos geridos em nome de clientes retalhistas superaram os de instituições, e essa tendência deverá continuar, com um crescimento ao dobro da taxa. Contudo, o acesso a esses clientes está a tornar-se cada vez mais institucional, com mais de 64% dos ativos retalhistas a serem detidos através de soluções personalizadas, como carteiras modelo e fundos com data-alvo.
Nos próximos cinco anos, prevê-se uma redução de 20% no número de gestores de património e de ativos, com estimativas de 250 a 350 transações anuais até 2029. A gestão de ativos está a tornar-se uma questão de escala, e as fusões serão uma alavanca fundamental. Os gestores de ativos de médio porte, que têm entre 432 mil milhões e 1,7 biliões de euros, são os mais vulneráveis, apresentando uma rentabilidade inferior em comparação com os maiores e menores gestores.
A redução de clientes para os gestores de ativos é uma realidade, uma vez que estes se estão a consolidar e a procurar fazer mais com menos. Desde 2023, a criação de novos gestores de produtos cotados caiu drasticamente, de uma média de 145 novos gestores anuais desde 2002 para menos de 10. Apesar das dificuldades históricas em alcançar melhorias na relação custos-receitas, uma nova estratégia de fusões e aquisições poderá gerar valor no setor.
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Fonte: Sapo





