O ministro da Presidência, Mariana Leitão Amaro, anunciou a criação de uma nova estrutura para a comunicação do Governo, com o objetivo de profissionalizar a forma como o Estado se comunica com os cidadãos. Esta iniciativa, que surge após um ano e meio de reflexão, é vista como um passo importante para reforçar a confiança nas instituições. João Cepeda, ex-diretor de comunicação do Governo socialista, elogiou a coragem política da decisão, afirmando que a comunicação eficaz é essencial para que as ações do Governo cheguem às pessoas.
A nova secretaria-geral adjunta para a comunicação institucional, que será integrada na secretaria-geral do Governo, visa modernizar e coordenar a comunicação do Estado. Leitão Amaro destacou que é preferível investir em estruturas profissionais dentro do Governo do que gastar milhões em agências de comunicação externas. A ideia é que esta nova abordagem sirva todos os Governos, independentemente da sua cor política, garantindo que os recursos estão disponíveis para quem estiver no poder.
José Bourbon Ribeiro, managing partner da Wisdom, sublinhou que a central de comunicação deve ser uma plataforma de serviço público, capaz de traduzir políticas complexas numa linguagem clara e acessível. Ele defende que a nova estrutura deve garantir clareza e transparência, substituindo a desinformação por informação rigorosa. Vítor Cunha, CEO da JLM&A, também expressou apoio à iniciativa, afirmando que a profissionalização da comunicação é fundamental não apenas no Governo, mas em todos os organismos do Estado.
No entanto, a proposta não está isenta de riscos. José Bourbon Ribeiro alertou para a possibilidade de instrumentalização partidária, enfatizando a necessidade de que a nova estrutura seja autónoma e independente de agendas políticas. Além disso, a burocratização pode ser um desafio, o que requer uma equipa multidisciplinar e uma cultura de agilidade para evitar que a central se torne um mero megafone do poder.
A criação desta central de comunicação do Governo é vista como uma oportunidade para melhorar a relação entre o Estado e os cidadãos, especialmente num tempo em que a confiança nas instituições está em crise. A comunicação do Governo deve ser clara, útil e direta, evitando a dispersão informativa que caracteriza o atual panorama mediático. A profissionalização da comunicação é, portanto, uma exigência democrática que pode ajudar a combater o populismo e a desinformação.
Leia também: O impacto da comunicação institucional na confiança pública.
comunicação do Governo Nota: análise relacionada com comunicação do Governo.
Leia também: Parceria entre CAP e Continente reforça cadeia agroalimentar
Fonte: ECO





