Ouro valoriza enquanto dólar enfraquece: o ‘debasement trade’ em alta

Em 2025, o preço do ouro disparou cerca de 65%, ultrapassando os 4.250 dólares por onça troy. Este aumento é impulsionado por uma combinação de fatores económicos e geopolíticos. Um dos principais motores deste fenómeno é a alteração nas reservas internacionais, especialmente após o congelamento dos ativos russos ocidentais devido à invasão da Ucrânia em 2022. Economias emergentes, com destaque para a China, têm intensificado as suas compras de ouro, buscando diversificar os seus ativos e reduzir a dependência do dólar, o que ajuda a mitigar o risco de novas sanções.

As expectativas de cortes nas taxas de juro pela Reserva Federal dos Estados Unidos também favorecem o metal precioso, uma vez que diminuem o custo de oportunidade de manter ouro. A instabilidade política, como a paralisação do governo dos EUA e a crise em França, tem aumentado a procura por ativos considerados refúgios seguros. Embora o recente acordo de paz entre Israel e o Hamas tenha trazido algum alívio, a incerteza global mantém o apetite por ouro.

Ao contrário das moedas fiduciárias, cuja emissão pode ser ilimitada, a produção de ouro é relativamente estável. Apesar de os índices acionistas, como o S&P 500, atingirem máximos nominais em dólares, quando medidos em ouro, esses índices desvalorizam mais de 25% em 2025. Este movimento não passou despercebido aos grandes investidores de Wall Street. Personalidades como Ken Griffin e Ray Dalio reconhecem que a valorização do ouro reflete uma crescente desconfiança nas moedas fiduciárias e nas políticas económicas que, segundo eles, estão a criar um ambiente propício à inflação.

Ken Griffin, fundador da Citadel, expressou preocupação com a crescente percepção do ouro como um ativo mais seguro do que o dólar. Cada vez mais investidores estão a redirecionar as suas carteiras para o ouro, buscando proteção contra o risco soberano dos EUA. Griffin destacou que as atuais políticas de imigração e fiscalidade estão a criar um ambiente inflacionário. A nova política de imigração, que restringe a entrada de trabalhadores estrangeiros, pode aumentar os custos de produção, uma vez que a mão de obra local tende a ser mais cara. Essa dinâmica, aliada a uma política fiscal expansionista e a cortes nas taxas de juro, está a contribuir para uma maior liquidez na economia e, consequentemente, para o aumento da inflação.

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Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, partilha a visão de Griffin, considerando o ouro um ativo mais seguro do que o dólar. Ele compara a valorização atual do metal amarelo com o aumento das cotações na década de 1970, um período marcado por elevada inflação e instabilidade económica. Dalio sugere que uma alocação ideal de ouro numa carteira de investimentos rondaria os 15%. O Bank of America indica que, entre os profissionais de Wall Street, a exposição média ao ouro continua baixa, cerca de 2,4%. Para Dalio, o ouro é uma reserva de valor sólida num contexto de aumento da dívida pública e tensões geopolíticas.

Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, também reconhece a tendência de transferência de capital de ativos de risco para o ouro. A crescente desconfiança nas moedas fiduciárias, em particular no dólar, leva muitos investidores a procurar alternativas que preservem o valor. É neste cenário que surge o conceito de “debasement trade”, que aposta que o aumento do endividamento público e a expansão monetária corroerão o poder de compra do dólar. Assim, o capital tem vindo a deslocar-se para ativos como o ouro, criptomoedas, ações e imobiliário, considerados refúgios contra a desvalorização monetária.

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Fonte: ECO

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