Recentemente, Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, fez uma comparação intrigante ao afirmar que “quando se vê uma barata, é provável que haja mais”. Esta declaração surge após a falência da First Brands, uma fabricante de peças automóveis, e da Tricolor, uma empresa de crédito automóvel de elevado risco. Embora estes casos sejam de menor dimensão, levantam preocupações sobre a saúde do sistema financeiro e a possibilidade de uma nova crise financeira.
Um dos principais fatores de preocupação é o crescimento das entidades não-bancárias, como hedge funds, fundos de capital privado e outros veículos financeiros que operam como bancos, mas que não estão sujeitos às mesmas regulamentações rigorosas. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) revelam que estas entidades já detêm 50% dos ativos financeiros globais, um aumento significativo em relação aos 43% registados durante a crise financeira de 2008.
As exigências regulatórias representam um custo elevado para os bancos, o que leva muitas entidades a procurar alternativas menos regulamentadas. Embora estas entidades não-bancárias tenham contribuído para um aumento na concessão de crédito, também estão a aumentar os riscos associados. Um estudo da consultora McKinsey indica que a concentração de investimento nos maiores fundos atingiu, em 2024, o nível mais elevado da última década, levando a preocupações sobre a sua solidez e a possibilidade de serem “grandes demais para falir”.
O Relatório de Estabilidade Financeira Global do FMI, publicado recentemente, destaca outro risco: a crescente interdependência entre bancos e não-bancos. As entidades não-bancárias estão cada vez mais dependentes dos bancos para financiamento, representando, em média, 9% do total de empréstimos dos bancos nos EUA e na Europa, o que equivale a 4,5 biliões de dólares. Esta interconexão significa que um problema numa entidade pode ter repercussões significativas em todo o sistema financeiro.
Por exemplo, o JPMorgan reconheceu uma perda de 170 milhões de dólares devido à falência da Tricolor. Embora esta quantia seja relativamente pequena para um gigante financeiro, a preocupação aumenta se uma entidade maior enfrentar dificuldades. Além disso, o FMI alerta que as entidades não-bancárias estão a acumular uma quantidade crescente de obrigações de dívida pública. Uma venda acelerada de ativos em caso de crise poderia resultar numa subida acentuada das taxas de juro, encarecendo o financiamento para toda a economia e potencialmente precipitando uma crise económica.
O longo período de estabilidade financeira, interrompido apenas pela pandemia, criou uma sensação de complacência em relação aos riscos acumulados. A falta de regulação adequada permitiu o crescimento de uma indústria que opera fora do radar. Com a avaliação dos ativos a ser cada vez mais otimista, a probabilidade de um acidente financeiro é elevada.
O FMI defende a necessidade de aumentar as obrigações de informação para as entidades não-bancárias, proporcionando maior visibilidade sobre os seus balanços e a interconexão com o sistema bancário. A regulação mais eficiente é fundamental para evitar uma nova crise financeira. Como alerta Dominique Laboureix, presidente do Conselho Único de Resolução, “o custo da inação será significativo. Cedo ou tarde, um destes agentes irá falir, com consequências terríveis para a estabilidade financeira”.
Leia também: A importância da regulação no sistema financeiro.
crise financeira crise financeira Nota: análise relacionada com crise financeira.
Leia também: Mudanças na saúde em Portugal: aquisições e tendências
Fonte: ECO





