A pressão internacional aumenta sobre o regime de Maduro na Venezuela

A Venezuela, que já foi uma potência petrolífera na América do Sul, atravessa uma fase crítica sob a liderança de Nicolás Maduro, que se prolonga há mais de dez anos. O país enfrenta não apenas um colapso económico interno, mas também um cerco internacional que se torna cada vez mais apertado. As vozes contra o regime multiplicam-se, desde Washington até Santiago do Chile, enquanto os aliados tradicionais, como a Rússia, oferecem um apoio cada vez mais frágil. Esta conjuntura, se bem aproveitada, pode ser a oportunidade que a população venezuelana tanto anseia. A pressão global parece, finalmente, estar a surtir efeito.

No centro desta crise está a economia. Apesar de uma aparente recuperação no setor petrolífero, com a produção de crude a atingir 1,105 milhões de barris por dia em setembro — o nível mais alto desde 2019 —, a Venezuela continua mergulhada numa crise estrutural. O PIB cresceu 7,7% no primeiro semestre, impulsionado por exportações para a China que renderam cerca de oito mil milhões de dólares. No entanto, a inflação galopante, projetada em 270% pelo FMI, corrói qualquer ganho. O bolívar perdeu 52% do seu valor no mesmo período e mais de metade da população vive na pobreza. O êxodo de oito milhões de venezuelanos é um reflexo humano desta tragédia. As sanções americanas, que custaram ao país perdas equivalentes a 213% do PIB em receitas petrolíferas desde 2019, agravam ainda mais a situação. Maduro tenta seduzir Trump com promessas de “riquezas”, mas o défice orçamental de 3,6% do PIB e uma dívida pública de 164% indicam uma insustentabilidade alarmante. A economia parece ser apenas uma fachada, sustentada por bravatas e pela exploração desesperada do subsolo.

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No plano internacional, o isolamento da Venezuela é cada vez mais evidente. A Rússia, que outrora era um pilar de apoio, limita-se a retórica antiocidental, sufocada pela sua própria crise na Ucrânia. Cuba, que depende do petróleo venezuelano, viu as suas importações caírem drasticamente de 56 mil para apenas oito mil barris diários. A China mantém laços comerciais, mas recusa-se a intervir politicamente. O veto do Brasil à adesão da Venezuela à BRICS é um sinal claro de que, mesmo na América Latina, o regime de Maduro está a ficar cada vez mais só.

A pressão dos Estados Unidos aumentou de forma significativa. Donald Trump, de regresso à Casa Branca, intensificou a ofensiva, dobrando para 50 milhões de dólares a recompensa pela captura de Maduro, a quem rotulou de narcoterrorista. A presença militar no Caribe é avassaladora, com uma dezena de navios de guerra e bombardeiros B-52, além de uma força de mais de dez mil militares. Desde setembro, cinco ataques contra lanchas rápidas em águas internacionais resultaram na morte de 27 presumíveis membros do cartel Tren de Aragua. Maduro, por sua vez, responde com exercícios militares em favelas como Petare, mas o exército, corroído pela corrupção, enfrenta enormes dificuldades. A ONU apela à moderação, mas Washington parece decidido a forçar uma mudança de regime.

A dimensão simbólica da situação também é significativa. A atribuição do Prémio Nobel da Paz a María Corina Machado, uma opositora nas eleições de 2024, foi um golpe moral devastador para o regime. O seu apelo ao apoio internacional amplificou a voz da oposição e incentivou novas deserções. A repressão, longe de silenciar, apenas reforça a resiliência do povo venezuelano.

Na América Latina, o silêncio começa a dar lugar à denúncia. Gabriel Boric, presidente do Chile, acusou diretamente Caracas de envolvimento no assassinato do dissidente venezuelano Ronald Ojeda. É a primeira vez que um líder regional responsabiliza abertamente o regime por um crime transnacional, um sinal claro de que o tempo da complacência acabou.

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Atualmente, Maduro já não governa com a confiança de outrora. Os aliados retraem-se, a economia colapsa, a pressão militar aumenta e a legitimidade internacional esvai-se. A população, exausta de escassez e medo, clama por mudança. E, pela primeira vez em muito tempo, o regime parece sentir o chão a tremer.

Maduro vê o cerco a fechar-se.

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Fonte: Sapo

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