Recentemente, durante a conferência “Geoestratégia e Gestão”, surgiu a necessidade de refletir sobre o impacto do geomanagement no ensino da gestão. Nas últimas décadas, especialmente após a Guerra Fria, a geopolítica perdeu protagonismo em relação a temas como tecnologia e sustentabilidade. No entanto, um inquérito recente realizado por uma consultora de estratégia revelou que as tensões geopolíticas são vistas como o “maior risco ao crescimento económico” por executivos de todo o mundo.
Este contexto de mudança não se limita apenas às tarifas impostas pelos Estados Unidos ou à guerra na Ucrânia. A pressão sobre o acesso a matérias-primas em África, por exemplo, é um fator que também merece atenção. A China tem aproveitado esta situação, enquanto os Estados Unidos e a Europa tentam estabelecer parcerias com o continente africano, especialmente com a cimeira da União Africana marcada para novembro.
O conceito de geoeconomics, defendido por publicações como o Economist, surge como uma resposta a estas dinâmicas, contrastando com a geopolitics. Ao analisarmos obras clássicas como “Diplomacia” de Kissinger ou “História das Civilizações” de Braudel, percebemos que muitos comportamentos contemporâneos encontram explicação em modelos históricos.
A geoestratégia, por sua vez, é definida como a “arte de utilizar o conhecimento geográfico para planeamento e execução”. Isso implica que fatores como terreno, clima, demografia e economia devem ser considerados na formulação de estratégias. Esta competência é essencial para que os gestores avaliem adequadamente o contexto de negócios e integrem essas informações nas suas decisões.
Embora o conceito de geoestratégia não seja novo, a perceção de segurança no período pós-Guerra Fria levou a uma subestimação da sua importância. A crise sanitária provocada pela Covid-19 em 2020 serviu como um alerta, que foi reforçado por eventos recentes. As questões geopolíticas não são algo distante; elas impactam diretamente o nosso dia a dia.
Para compreender o mundo atual, é fundamental considerar os conceitos de geopolítica, geoeconomia e geoestratégia. No entanto, entender não deve ser um fim em si mesmo, mas sim o início de um processo que permita aproveitar oportunidades e influenciar o que acontece à nossa volta.
Neste sentido, é crucial ensinar os alunos a lerem o mundo e, como sugerido por um participante da conferência, a “imaginarem o mundo”. A introdução do conceito de geomanagement nas currículas pode ser uma forma eficaz de preparar os futuros líderes para os desafios globais que se avizinham.
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Fonte: Sapo





