A Carris, empresa responsável pelo transporte público em Lisboa, confirmou esta segunda-feira que a MNTC, a empresa encarregada da manutenção do Elevador da Glória, “poderá não ter cumprido devidamente o contrato”. Esta declaração surge após a divulgação do relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que investiga o trágico acidente ocorrido a 3 de setembro, que resultou na morte de 16 pessoas e deixou várias outras feridas.
Em comunicado, a Carris anunciou a demissão do diretor de manutenção do modo elétrico, uma vez que o incumprimento do contrato “nunca foi reportado”. O mesmo diretor, assim como o gestor do contrato, tinham manifestado “máxima confiança no desempenho” da MNTC mesmo após o acidente. O conselho de administração da Carris afirmou que desconhecia “toda a factualidade descrita” no relatório do GPIAAF, que aponta para falhas na supervisão e na manutenção do elevador.
O relatório revela que as inspeções agendadas para o dia do acidente estavam registadas como realizadas, mas existem indícios de que não ocorreram no horário indicado. Além disso, o documento destaca que o cabo instalado no elevador não estava em conformidade com as especificações da Carris, nem era certificado para transporte de pessoas.
Desde 2019, a MNTC é responsável pela manutenção do Elevador da Glória, mas a Carris sublinha que a responsabilidade pela segurança da operação não é exclusivamente sua. A regulação técnica e supervisão do elevador são da competência de uma entidade da administração indireta do Estado, atualmente o IMT, IP.
A Carris aguarda agora o “relatório final”, que deverá ser publicado um ano após o acidente, para uma análise mais detalhada das causas. Até lá, a empresa destaca que o relatório preliminar do GPIAAF não permite concluir se as irregularidades na utilização do cabo foram relevantes para o acidente.
Paralelamente, a Carris está a realizar uma auditoria externa independente para investigar as causas do acidente e está a trabalhar com a Comissão de Avaliação para a Reabertura dos Elevadores e Ascensores da Cidade de Lisboa, que inclui representantes de instituições como o Laboratório Nacional de Engenharia Civil e o Instituto Superior Técnico. O objetivo é elevar os padrões de operação e segurança dos elevadores na capital.
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Fonte: ECO





