O acidente no elevador da Glória, em Lisboa, que ocorreu a 3 de setembro e resultou em 16 mortos e cerca de duas dezenas de feridos, foi causado por um cabo que não estava certificado para o transporte de pessoas. Esta informação foi revelada no relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF).
De acordo com o relatório, o cabo que unia as duas cabinas do elevador não respeitava as especificações da Carris, a empresa responsável pela manutenção e operação do ascensor. O GPIAAF sublinha que o cabo não era apropriado para ser utilizado em instalações de transporte de pessoas, o que levanta sérias questões sobre a segurança e a supervisão da manutenção do elevador da Glória.
A investigação identificou falhas no processo de aquisição do cabo pela Carris, que não conseguiu garantir que os cabos adquiridos estivessem em conformidade com as especificações adequadas. O GPIAAF destaca que a utilização de cabos não conformes foi resultado de uma série de falhas acumuladas no processo de aquisição e controlo interno da empresa.
Embora o cabo tenha estado em uso durante 601 dias sem incidentes, a investigação não consegue determinar se a utilização deste tipo de cabo teve um papel direto na rotura que ocorreu após 337 dias de utilização. O relatório menciona que a zona onde o cabo rompeu não era passível de inspeção visual sem desmontagem, o que complicou a detecção de potenciais problemas.
O GPIAAF também aponta que, antes do acidente, as cabinas do elevador da Glória transportavam um número de passageiros bem abaixo da sua lotação máxima, o que poderia ter minimizado a gravidade do acidente. No dia do incidente, as cabinas realizaram um total de 53 viagens, com uma ocupação média de 22 passageiros na cabina 1 e 17 na cabina 2.
Além disso, a investigação revelou que houve falhas na manutenção do elevador, incluindo a falta de formação adequada dos funcionários e a supervisão deficiente dos trabalhos realizados pela empresa prestadora de serviços. As inspeções, embora registadas como realizadas, não corresponderam às tarefas efetivamente executadas, levantando questões sobre a eficácia do sistema de manutenção.
O GPIAAF recomenda que a Carris não reative os ascensores sem uma reavaliação por uma entidade especializada em funiculares. Também sugere uma revisão do sistema de controlo interno da Carris, especialmente nos processos de especificação, aquisição e aplicação de componentes críticos para a segurança.
A Carris, por sua vez, admitiu que o processo de compra de cabos incluiu especificações erradas, enviadas por engano, o que contribuiu para a aquisição de cabos inadequados. Este erro levanta preocupações sobre a gestão e a supervisão das operações da empresa.
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elevador da Glória Nota: análise relacionada com elevador da Glória.
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Fonte: ECO





