Moçambique deve acelerar acesso a energia limpa, recomenda AIE

A Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou a Moçambique que acelere o acesso a energia limpa, especialmente para cozinhas, e que avance na eletrificação do país. Esta recomendação foi feita durante a Semana de Energia e Clima da CPLP, que está a decorrer em Maputo até sexta-feira.

A análise da política energética de Moçambique revelou que, apesar de o país ter quase duplicado a taxa de eletrificação na última década, mais de metade da população ainda não tem acesso a eletricidade. Além disso, apenas 7% da população utiliza soluções modernas para cozinhar, o que evidencia a necessidade urgente de promover a energia limpa.

A AIE sublinha a importância de implementar políticas adaptadas, subsídios direcionados e uma coordenação mais eficaz entre os órgãos públicos para facilitar o acesso a soluções de energia limpa. Para isso, é crucial fortalecer os sistemas de planeamento e dados relacionados com a energia, incluindo a adoção de ferramentas de monitorização transparentes no uso de recursos energéticos. O objetivo é atender a uma população em rápido crescimento.

Outra recomendação da AIE é o desenvolvimento de roteiros de investimento específicos para o setor energético, que visem mobilizar financiamento privado e concessional para projetos de energia. Estes devem ser apoiados por tarifas previsíveis, regulamentos claros e instrumentos que reduzam o risco associado a investimentos em energia limpa.

Atualmente, Moçambique depende fortemente da energia hidroelétrica, mas a AIE alerta que outras fontes de energias renováveis permanecem em grande parte inexploradas. O país tem um potencial significativo que pode ser aproveitado para impulsionar o crescimento económico, a industrialização e a exportação de energia limpa. Isto inclui a expansão da mineração e do processamento, de forma a beneficiar da crescente demanda global por tecnologias de energia limpa e minerais essenciais.

A análise da AIE também destaca que as pequenas redes e sistemas solares residenciais autónomos serão fundamentais para garantir o acesso à eletricidade a um custo mais baixo nas zonas rurais. No entanto, são necessários mais esforços para estimular o desenvolvimento do mercado nestes setores, que ainda dependem fortemente de financiamento público.

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A estratégia de Transição Energética de Moçambique, aprovada em 2023, visa acelerar o acesso universal à energia, mas enfrenta desafios significativos, especialmente no que diz respeito às infraestruturas. O ambiente de investimento no país é dificultado pelo alto custo do capital, o que limita o acesso a financiamento para projetos e complica a redução da lacuna de infraestrutura energética.

Embora Moçambique já esteja a exportar Gás Natural Liquefeito (GNL), muitos grandes projetos foram adiados e os benefícios esperados ainda não se materializaram. A AIE enfatiza a necessidade de uma abordagem mais robusta para garantir que o país possa realmente alcançar um futuro sustentável e acessível em termos de energia limpa.

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Fonte: Sapo

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