Transição energética avança, mas aquecimento global persiste

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) emitiu um alerta claro: apesar do crescimento significativo na transição energética, o mundo ainda avança demasiado devagar para conter o aquecimento global. Em 2023, a capacidade instalada de energias renováveis aumentou em 582 gigawatts, o maior crescimento registado até agora. No entanto, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingiu um novo máximo histórico, com um aumento sem precedentes de 3,5 partes por milhão num único ano.

Embora haja progresso, a Agência Internacional de Energia sublinha que o ritmo atual não é suficiente para cumprir as metas estabelecidas no Acordo de Paris. Para que a capacidade global de energias renováveis triplique até 2030, seria necessário manter um crescimento médio anual de 16,6%. Este objetivo encontra obstáculos nas redes elétricas, nas cadeias de fornecimento e nas dificuldades de financiamento. Assim, a luta contra o aquecimento global e a mitigação das suas consequências caminham lado a lado, numa corrida contra o tempo.

O boletim da OMM revela que os principais sistemas naturais de absorção de carbono, como florestas e oceanos, estão a perder eficiência. Esta situação agrava o efeito estufa e potencia fenómenos climáticos extremos, como secas, tempestades e inundações, que se tornam cada vez mais frequentes e severas. Este aumento da sinistralidade representa um desafio significativo para o setor segurador e ressegurador.

A intensificação dos eventos climáticos extremos pressiona os resultados das seguradoras, mas o mercado de resseguro começa a mostrar sinais de maior flexibilidade. Após um período de endurecimento, a abundância de capital e a ausência de grandes catástrofes no Atlântico contribuíram para um regresso a um “soft market”, caracterizado por taxas mais estáveis e maior capacidade disponível.

Contudo, o setor enfrenta novos riscos relacionados com a transição energética e a reputação. As seguradoras que continuarem a apoiar projetos intensivos em carbono poderão enfrentar pressões regulatórias e de mercado. Em contrapartida, a procura por seguros que sustentem a nova economia verde, como parques solares e eólicos, está a aumentar. O equilíbrio entre proteger ativos fósseis e financiar a descarbonização tornou-se uma questão central na estratégia do setor.

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Além disso, soluções paramétricas baseadas em índices meteorológicos estão a ganhar destaque, oferecendo rapidez na compensação e maior previsibilidade. No entanto, a eficácia destas soluções depende de dados fiáveis e de sistemas de monitorização avançados, áreas que ainda carecem de investimento adequado.

Em Portugal, onde o risco de incêndios, secas e cheias urbanas é elevado, o desafio passa por rever carteiras, ajustar prémios em zonas críticas e desenvolver produtos que incentivem a prevenção e adaptação. As parcerias público-privadas e o reforço da modelação climática serão essenciais para garantir a estabilidade e a capacidade de resposta do setor.

O recente duplo recorde — o avanço das energias renováveis e o aumento histórico de CO₂ — evidencia que a transição energética está em curso, mas o relógio climático não pára. No final, o seguro não é apenas um amortecedor financeiro; é um reflexo da nossa capacidade de antecipar o futuro. E o futuro, assim como o clima, já começou a mudar.

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transição energética transição energética Nota: análise relacionada com transição energética.

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Fonte: ECO

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