O candidato à Presidência da República, António Filipe, manifestou-se esta terça-feira, em Palmela, contra a ideia do seu adversário Gouveia e Melo de que há “Estado a mais” em Portugal. Filipe argumenta que muitos serviços públicos carecem de recursos humanos suficientes, contradizendo a visão liberal do almirante.
Em declarações à agência Lusa, António Filipe questionou onde seria possível reduzir efetivos na administração pública. “Temos falta de professores, alunos sem aulas, médicos e enfermeiros em escassez. Não parece que se possa cortar nessas áreas”, afirmou. O candidato comunista criticou a ideia de que a administração pública tem excesso de pessoal, sublinhando que muitos serviços não conseguem atrair profissionais qualificados.
Gouveia e Melo, em entrevistas anteriores, defendeu que o Estado é um entrave ao desenvolvimento económico, sugerindo que a sua presença na economia estrangula a iniciativa privada. Filipe, por outro lado, considera que a visão de Gouveia e Melo pode levar à transferência de funções sociais do Estado para o setor privado, algo que ele não apoia. “Precisamos de funcionários suficientes e com carreiras valorizadas. Essa noção de que há funcionários públicos a mais não faz sentido”, disse.
Além das questões sobre a administração pública, António Filipe também comentou o recente relatório sobre o trágico acidente do elevador da Glória, em Lisboa, que resultou em 16 mortes. O relatório indicou que o cabo que unia as cabinas do elevador não cumpria as especificações da Carris. Filipe exigiu que se apurem responsabilidades até ao fim, afirmando que “quando estão em causa vidas humanas, é essencial identificar os responsáveis, tanto os que falharam no seu dever como os políticos que tomaram decisões relacionadas com o equipamento”.
A discussão sobre o papel do Estado em Portugal continua a ser um tema central nas eleições presidenciais. António Filipe defende uma abordagem que valorize o serviço público e a necessidade de mais recursos, enquanto Gouveia e Melo propõe uma visão mais liberal que questiona a intervenção do Estado na economia.
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Fonte: ECO





