As empresas proprietárias da central nuclear de Almaraz, Endesa, Iberdrola e Naturgy, solicitaram a extensão da sua operação até 2030. No entanto, a realidade é que o encerramento da central está previsto para 2028, conforme o protocolo assinado em 2019. A Iberdrola, que detém 53% da central, confirmou que Almaraz I deverá fechar em novembro de 2027 e Almaraz II em outubro de 2028.
A discussão sobre o futuro da central nuclear Almaraz tem sido um tema central na agenda política espanhola, especialmente após o apagão ibérico de abril. Enquanto o governo do PSOE defende o encerramento, a oposição argumenta a favor da sua continuidade, destacando a importância da central para a estabilidade da rede elétrica, especialmente numa região com alta penetração de energias renováveis.
As empresas alegam que a central é vital para controlar a tensão elétrica no sul de Espanha, uma área que já enfrentou problemas de abastecimento. A Red Eléctrica sublinhou a necessidade de garantir a segurança do sistema elétrico, afirmando que irá avaliar os riscos associados ao encerramento das centrais nucleares.
O clima no setor energético é de expetativa, uma vez que, se o governo não tomar medidas até ao final de outubro, as empresas terão de formalizar o pedido de encerramento do reator 1 de Almaraz. O governo espanhol, por sua vez, tem sido claro ao afirmar que os contribuintes não podem continuar a financiar a operação da central, com o delegado do governo na Extremadura a confirmar a intenção de avançar para o encerramento.
As organizações ambientalistas em Portugal celebram a confirmação do calendário de encerramento, considerando que a central, com cerca de 45 anos de operação, apresenta riscos elevados de avarias e necessidade de manutenção. Miguel Macias Sequeira, do GEOTA, destacou a necessidade de resolver a questão dos resíduos radioativos, que podem permanecer perigosos por milhares de anos.
O processo de desmantelamento da central será complexo e dispendioso, exigindo uma solução de armazenamento a longo prazo para os resíduos. A Iberdrola e a Endesa continuam a pressionar o governo para adiar o encerramento, mas as negociações estão paralisadas, principalmente devido à falta de consenso entre as empresas sobre as alterações fiscais necessárias.
Em outubro, as elétricas deverão apresentar ao Conselho de Segurança Nuclear o pedido formal para o encerramento da central, conforme estipulado no acordo de 2018. A situação da central nuclear Almaraz continua a ser um tema de grande relevância, não só para a Espanha, mas também para Portugal, dada a sua proximidade.
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Fonte: Sapo





