Air France-KLM e Lufthansa exigem concorrência justa na aviação

Os CEOs da Air France-KLM e da Lufthansa, Benjamin Smith e Carsten Spohr, uniram-se para pedir uma revisão das regras regulatórias da aviação na Europa. Em entrevista conjunta aos jornais ‘Les Echos’ e ‘Frankfurter Allgemeine Zeitung’, ambos argumentam que a atual estrutura está a prejudicar a concorrência justa face às companhias aéreas do Médio Oriente, que beneficiam de subsídios estatais e normas ambientais menos rigorosas.

Smith alertou que mais de 50% do tráfego aéreo para a Europa é atualmente controlado por empresas não europeias, o que representa uma ameaça para o futuro das companhias aéreas europeias e os 12 milhões de empregos que dependem do setor. Spohr acrescentou que a questão vai além da economia, sublinhando a importância da soberania europeia. “Não somos autossuficientes em defesa ou energia, e devemos ser capazes de conectar os nossos próprios mercados”, afirmou.

Os líderes das duas companhias destacam que a vantagem competitiva das empresas do Golfo, como Emirates e Qatar Airways, é acentuada por combustíveis subsidiados e infraestruturas financiadas por fundos públicos. “Essas empresas não competem sob as mesmas regras que nós”, disse Smith, enfatizando que a Europa está a abrir mão do seu mercado para empresas que não geram empregos no continente.

A preocupação com a concorrência justa intensificou-se após a Turkish Airlines adquirir 26% da Air Europa, uma operação avaliada em 300 milhões de euros. Esta aquisição fortalece a posição da companhia turca em Espanha, um hub estratégico para o tráfego transatlântico. Spohr referiu que esta situação é “a gota de água”, dado que a Turkish Airlines já controla cerca de 20% do tráfego europeu de longa distância.

Desde os anos 2000, os principais hubs do Golfo têm atraído um número crescente de passageiros entre a Europa e a Ásia. Atualmente, as companhias do Golfo respondem por mais de 40% dos viajantes nessas rotas, enquanto as europeias mal alcançam 20%. Segundo a IATA, as companhias aéreas europeias perdem anualmente cerca de cinco mil milhões de euros para a concorrência externa.

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Para enfrentar esta situação, os CEOs exigem medidas urgentes da Comissão Europeia, incluindo a revisão de acordos bilaterais e a introdução de impostos compensatórios para neutralizar os auxílios estatais. “A Europa deve permitir que surjam campeões globais capazes de garantir a sua soberania”, afirmou Smith, referindo-se à necessidade de um ambiente mais favorável para as operações corporativas no setor.

Além disso, ambos os executivos propõem a revisão do sistema de cotas obrigatórias de combustíveis sustentáveis, sugerindo que se transforme num imposto por passageiro para financiar combustíveis verdes. Spohr destacou que a exclusão do espaço aéreo russo desde 2022 agravou a competição, aumentando os custos e o tempo de viagem para as companhias aéreas europeias.

Os impostos e taxas aeroportuárias na Europa também foram alvo de críticas, com Spohr a afirmar que “os aumentos de preços não vêm das companhias aéreas, mas dos encargos impostos pelos governos”. A questão agora é saber quando a União Europeia irá agir para garantir uma concorrência justa no setor da aviação.

Leia também: O impacto das taxas aeroportuárias nas companhias aéreas europeias.

concorrência justa concorrência justa Nota: análise relacionada com concorrência justa.

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Fonte: Sapo

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