Investir em cooperação para gerir migração e segurança económica

Os investimentos em cooperação para o desenvolvimento são fundamentais para que a União Europeia (UE) alcance os seus objetivos internos, incluindo a gestão da migração irregular e o fortalecimento da segurança económica. Esta é a posição defendida por Jozef Síkela, comissário europeu para as Parcerias Internacionais, durante o Global Gateway Forum, que teve lugar em Bruxelas nos dias 9 e 10 de outubro.

Síkela sublinha que a Europa ainda pode assumir um papel de liderança em África, mesmo em face da concorrência da iniciativa chinesa Nova Rota da Seda. “Não é tarde demais para a Europa”, afirma, destacando que muitos líderes africanos reconhecem as falhas da cooperação com a China, que frequentemente resulta em dívidas e não em desenvolvimento. O comissário critica os custos ocultos associados a esta iniciativa, como contratos opacos e prazos de pagamento curtos, que limitam os benefícios locais.

O modelo Global Gateway da UE, segundo Síkela, é baseado na transparência e na sustentabilidade, permitindo que os parceiros africanos mantenham o controlo do seu próprio desenvolvimento. Através deste modelo, a UE visa criar empregos e competências localmente, evitando armadilhas de dívida. O Corredor do Lobito, um projeto estratégico que liga a Zâmbia e a República Democrática do Congo aos portos de Angola, é um exemplo de como a cooperação para o desenvolvimento pode ser transformadora. Este projeto não se limita a infraestruturas ferroviárias, mas abrange também áreas como logística, energia e educação, onde as empresas portuguesas têm um papel importante a desempenhar.

A cooperação para o desenvolvimento está a evoluir, deixando de ser apenas ajuda para se tornar investimentos estratégicos. Síkela alerta que, com os Estados Unidos a reduzirem os seus orçamentos para o desenvolvimento, a UE deve evitar que este vazio seja preenchido por regimes autoritários. A forma como a UE utiliza os seus 90 mil milhões de euros anuais em ajuda ao desenvolvimento é crucial. O comissário enfatiza que a cooperação deve ser sustentável, criando novas empresas e cadeias de valor locais, o que, por sua vez, reforça a estabilidade dos parceiros da UE e a competitividade da própria Europa.

Leia também  Operadoras de telecomunicações criticam proposta de cibersegurança da UE

O Corredor do Lobito é um exemplo claro de como a cooperação para o desenvolvimento pode beneficiar tanto a Europa como África. Este projeto não só cria uma rota de abastecimento de matérias-primas essenciais, mas também promove a formação profissional e o apoio a pequenas e médias empresas. A participação das empresas portuguesas é vista como uma oportunidade, dada a relação histórica entre Portugal e Angola.

A Europa, segundo Síkela, não pode ser vista como o doador de último recurso. É necessário usar melhor os fundos disponíveis e atrair investimento privado, combinando donativos, garantias e empréstimos para reduzir riscos. O comissário acredita que a cooperação para o desenvolvimento deve ser uma prioridade, não apenas por questões de solidariedade, mas também por ser essencial para a segurança a longo prazo da Europa.

Leia também: A importância da cooperação internacional para a estabilidade económica.

Leia também: Empresas portuguesas mantêm compromisso com diversidade e inclusão

Fonte: ECO

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top