A Vodafone Portugal, que surgiu em 1992 como Telecel, continua a ser um dos principais operadores de telecomunicações no país. Durante um encontro recente com jornalistas, o presidente executivo da empresa, Luís Lopes, afirmou que a Vodafone Portugal está a competir principalmente em “qualidade” e não em preços baixos. Esta estratégia visa reforçar a posição da marca num mercado cada vez mais competitivo.
Luís Lopes destacou que a Vodafone Portugal se encontra numa “posição muito atrativa” e que, embora a consolidação no setor não seja uma realidade imediata, é uma possibilidade a longo prazo. O executivo sublinhou que, na sua perspetiva, Portugal não tem espaço para quatro operadores, uma vez que a maioria dos países europeus opera com apenas três.
Quando questionado sobre uma possível aquisição da Digi, que a Vodafone tentou concretizar com a Nowo há dois anos, Lopes não se comprometeu, mas afirmou que a força da Vodafone Portugal a coloca numa posição de potencial consolidor. Apesar da entrada da Digi no mercado, a Vodafone não registou uma fuga significativa de clientes, mantendo o mesmo número de utilizadores desde a chegada da nova concorrente.
A empresa tem demonstrado um interesse em sair de mercados onde a perspetiva a longo prazo é negativa. Contudo, o mercado português continua a ser um dos mais relevantes para o grupo Vodafone na Europa, ocupando atualmente o quarto lugar.
Lopes também abordou a questão da valorização do setor das telecomunicações, prevendo uma possível perda de valor que pode atingir os 5%. O impacto da Vodafone no PIB nacional diminuiu, passando de 3% para menos de 2% atualmente. Ao longo dos seus 33 anos de existência, a Vodafone Portugal enfrentou desafios, como o ciberataque de 2022, mas conseguiu responder de forma eficaz, reforçando a sua resiliência através de investimentos significativos em infraestruturas.
O regulador português, segundo Luís Lopes, apresenta uma visão restrita da indústria, especialmente no que diz respeito às licenças de espectro, cuja renovação está prevista para 2028. O presidente da Vodafone Portugal defende que a renovação do espectro deve ser feita “idealmente sem contrapartidas”, mas admite que se forem razoáveis, a empresa poderá aceitá-las.
Por fim, Lopes salientou que a Europa enfrenta um problema estrutural, com a falta de operadores de grande escala que consigam competir com os gigantes das telecomunicações em economias asiáticas e norte-americanas. A Vodafone Portugal, ao focar-se na qualidade, pretende consolidar a sua posição e enfrentar os desafios do futuro.
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Fonte: Sapo





