A agência de notação financeira Moody’s anunciou hoje que mantém o rating de França em Aa3, o que indica uma dívida de boa qualidade. No entanto, a agência reviu a sua perspetiva de “estável” para “negativa”, numa altura em que se discute o orçamento no Parlamento francês. Esta decisão surge após a Fitch e a S&P Global terem já descido o rating francês para A+, que corresponde a uma dívida de qualidade média superior.
A Moody’s justifica a alteração da perspetiva com o aumento do risco de fragmentação política em França, que pode afetar o funcionamento das instituições legislativas. A instabilidade política, segundo a agência, pode dificultar a capacidade do governo em lidar com desafios orçamentais, como o elevado défice e o aumento da dívida. A Moody’s alerta que a situação pode levar a um agravamento mais rápido dos indicadores orçamentais do país do que o previsto.
Além disso, a agência destaca que as divisões políticas aumentam o risco de reversão das reformas estruturais, especialmente a reforma das pensões de 2023, que o primeiro-ministro, Sébastian Lecornu, já se comprometeu a manter. A Moody’s adverte que a suspensão prolongada desta reforma poderá agravar os desafios orçamentais e impactar negativamente a taxa de crescimento da economia.
Apesar da revisão da perspetiva, a Moody’s decidiu manter o rating de França, elogiando a força económica do país e a sua economia diversificada. A agência salienta que a solidez das finanças das famílias e das empresas, assim como a robustez do setor bancário, são fatores que contribuem para a estabilidade macroeconómica. No entanto, a sustentabilidade da dívida pode enfraquecer à medida que a dívida emitida a taxas baixas vença e precise de ser refinanciada a custos mais elevados.
Em resposta a esta avaliação, o ministro das Finanças francês, Roland Lescure, afirmou nas redes sociais que a decisão da Moody’s sublinha a necessidade de um compromisso orçamental. Lescure reiterou que o governo está determinado a manter o objetivo de um défice de 5,4% do PIB para 2025 e a seguir uma trajetória de redução do défice para menos de 3% do PIB até 2029, sem comprometer o crescimento económico.
A análise da Moody’s foi divulgada no mesmo dia em que começou a discussão do projeto de orçamento para 2026 na Assembleia Nacional. Com a falta de maiorias claras, Lecornu enfrenta o desafio de buscar apoios tanto à esquerda como à direita. Os socialistas exigem um aumento de impostos sobre as grandes fortunas, e Lecornu já concordou em suspender a reforma das pensões de 2023 para evitar que as moções de censura apresentadas sejam aprovadas.
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Fonte: Sapo





