Mariana Mortágua, a coordenadora do Bloco de Esquerda, anunciou este sábado a sua decisão de abandonar a liderança do partido e não se recandidatar. Na carta enviada aos militantes, Mortágua reconheceu que a direção que liderou não conseguiu inverter a centralização excessiva da estrutura do Bloco, nem gerar um novo impulso político e eleitoral.
A decisão surge a poucos dias da XIV Convenção Nacional do partido, agendada para os dias 1 e 2 de novembro em Lisboa. Este momento é especialmente crítico para o Bloco de Esquerda, que registou o seu pior resultado nas eleições legislativas de maio, elegendo apenas uma deputada, a própria Mortágua, após ter conseguido cinco mandatos nas legislativas de março de 2024. Nas autárquicas de 12 de outubro, o partido voltou a ter um desempenho modesto, refletindo um ciclo de viragem à direita, conforme apontado pela própria líder.
Na sua carta, a economista de 39 anos fez um balanço autocrítico do seu mandato, que começou em maio de 2023. Mortágua recordou que, ao assumir a coordenação, estava ciente das dificuldades políticas que o Bloco enfrentava. A líder admitiu que o objetivo de encontrar novos caminhos não foi alcançado, não apenas pela redução do espaço eleitoral do partido, mas também porque a renovação promovida não foi suficiente para revitalizar a intervenção social do Bloco.
Mortágua destacou que a precipitação de campanhas eleitorais consecutivas prejudicou a reflexão interna e a transformação do funcionamento do partido. Apesar das campanhas de ódio dos adversários, a direção não conseguiu neutralizar essas críticas. “Face a este balanço, e agora que termino o mandato que me foi conferido na última Convenção, comunico-vos que decidi não me candidatar a um novo mandato de coordenadora do Bloco de Esquerda”, escreveu.
A coordenadora sublinhou que acredita que o partido beneficiará de uma nova liderança, com pessoas que tenham melhores condições para dar voz ao Bloco. Mortágua enfatizou que cada moção apresentada na próxima convenção deverá oferecer alternativas de direção, reforçando a pluralidade do partido.
A XIV Convenção Nacional será agora o palco para a escolha de uma nova liderança para o Bloco de Esquerda, que foi fundado em 1999. Mariana Mortágua, que sucedeu a Catarina Martins com 83% dos votos, deixa a coordenação após ter sido a única deputada do partido num parlamento marcado pela fragmentação, com a ascensão do Chega como segunda força política.
Na parte final da sua carta, Mortágua reafirmou o seu compromisso com o Bloco, garantindo que continuará a fazer parte do caminho do partido, no qual acredita profundamente.
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Mariana Mortágua Mariana Mortágua Mariana Mortágua Nota: análise relacionada com Mariana Mortágua.
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Fonte: ECO





