A TotalEnergies anunciou a suspensão da cláusula de “força maior” que impedia o avanço do megaprojeto de gás natural liquefeito (GNL) em Cabo Delgado, Moçambique. Esta decisão foi comunicada à Presidência moçambicana e marca um passo importante para a retoma de um investimento avaliado em 20 mil milhões de dólares (cerca de 17 mil milhões de euros), que esteve em pausa desde 2021 devido a ataques terroristas na região.
De acordo com fontes da TotalEnergies, o consórcio Mozambique LNG informou oficialmente a Presidência moçambicana na passada sexta-feira, através de uma carta protocolar. O próximo passo para o relançamento do megaprojeto de gás é a aprovação, pelo Conselho de Ministros de Moçambique, de uma adenda ao Plano de Desenvolvimento (PoD), que incluirá um orçamento e cronograma atualizados.
Patrick Pouyanné, presidente da TotalEnergies, revelou que a produção de GNL deverá iniciar em 2029, após a apresentação de um novo programa de desenvolvimento ao Governo moçambicano. “Estamos a remobilizar no terreno. Contudo, a última parte da decisão de levantar a ‘força maior’ depende da aprovação do plano de desenvolvimento atualizado”, afirmou Pouyanné durante um encontro com investidores em Nova Iorque.
Este megaprojeto de gás tem uma capacidade estimada de produção de 13 milhões de toneladas anuais (mtpa) de GNL e, segundo a TotalEnergies, está atualmente 40% desenvolvido. A cláusula de “força maior” foi acionada em 2021, quando a empresa suspendeu as atividades devido à escalada de violência na região, que afetou o desenvolvimento de uma central de produção e exportação de gás natural na baía de Afungi.
O presidente moçambicano, Daniel Chapo, já havia mencionado a necessidade de levantar a cláusula de “força maior”, destacando que as condições em Cabo Delgado estavam reunidas para a retoma do projeto. “Aguardamos, a breve trecho, o pronunciamento da concessionária da Área 1 sobre esta matéria”, disse Chapo, referindo-se ao projeto Mozambique LNG.
Além do projeto da TotalEnergies, Moçambique conta com outros dois megaprojetos de GNL, sendo que apenas o da Eni, Coral Sul, já está em operação. O novo projeto Coral Norte, também da Eni, deverá duplicar a produção de GNL em Moçambique a partir de 2028.
O Governo moçambicano tem trabalhado em colaboração com as concessionárias para resolver os desafios de segurança na região. Em agosto, Moçambique assinou um acordo com o Ruanda, permitindo que as forças armadas ruandesas operem em Cabo Delgado para combater os grupos terroristas, em apoio ao exército moçambicano.
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Fonte: Sapo





