A TotalEnergies apresentou uma proposta ao Governo de Moçambique para prorrogar por 10 anos a concessão do seu megaprojeto de gás em Cabo Delgado. Esta solicitação surge como uma forma de compensar os prejuízos acumulados, que ascendem a 4.500 milhões de dólares (cerca de 3.870 milhões de euros), resultantes de quatro anos de suspensão das atividades devido a ataques terroristas na região.
Na carta endereçada ao Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, e assinada pelo CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, a empresa justifica a prorrogação como uma medida necessária para “compensar parcialmente o impacto económico” da paragem. A TotalEnergies afirma que as condições de segurança estão agora reunidas para retomar o projeto.
A carta, à qual a Lusa teve acesso, menciona que a concessionária solicita respeitosamente ao Governo a extensão do prazo do Período de Desenvolvimento e Produção do campo Golfinho-Atum por uma duração de 10 anos. Além disso, a proposta inclui a “otimização” das obrigações financeiras da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), que faz parte do consórcio da Área 1 da Bacia do Rovuma.
Para avançar, a TotalEnergies aguarda a aprovação do Governo moçambicano em relação ao custo e cronograma revistos do projeto. O presidente da empresa recordou que o Governo já realizou uma auditoria ao processo, que abrange o período de 2021 a 2024, e a TotalEnergies espera receber o relatório correspondente o mais rapidamente possível.
A carta também destaca que a suspensão prolongada teve um impacto significativo no cronograma do projeto, alterando a previsão de entrega do Gás Natural Liquefeito (GNL) da primeira linha, que passou de julho de 2024 para o primeiro semestre de 2029. Assim, o prazo do Período de Desenvolvimento e Produção do campo Golfinho-Atum será alargado em quatro anos e meio.
Este megaprojeto, avaliado em 20 mil milhões de dólares (17 mil milhões de euros), é liderado pela TotalEnergies e tem enfrentado dificuldades devido à instabilidade na província de Cabo Delgado. A empresa já havia ativado a cláusula de “força maior” em 2021, suspendendo as suas atividades na região devido à violência.
Recentemente, a TotalEnergies anunciou que está a remobilizar recursos no terreno e que tudo está pronto para o arranque da produção de GNL, previsto para 2029. O projeto tem uma capacidade estimada de produção de 13 milhões de toneladas anuais de GNL e, segundo a empresa, está atualmente desenvolvido em 40%.
Moçambique alberga três megaprojetos de GNL ao largo de Cabo Delgado, sendo que apenas o da Eni, Coral Sul, está em operação. Os restantes, incluindo o da TotalEnergies, estão a ser desenvolvidos em terra, na península de Afungi.
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Fonte: Sapo





