Os principais banqueiros de Portugal manifestaram a sua oposição à proposta do governo de criar um novo imposto para substituir o Adicional de Solidariedade, declarado inconstitucional pelo Tribunal Constitucional. A discussão teve lugar na conferência Money Summit, organizada pela EY, onde estiveram presentes os CEOs de vários bancos, incluindo Luís Pereira Coutinho, administrador da Caixa Geral de Depósitos.
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, anunciou que está a avaliar alternativas para compensar a eliminação do Adicional. No entanto, os banqueiros não hesitaram em criticar a ideia. João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI, destacou que a instituição já paga 37% de IRC e contribui significativamente para o Fundo de Resolução. “Não vejo razão, a não ser uma razão puramente ideológica, para aumentar os impostos sobre a banca”, afirmou.
Miguel Maya, CEO do BCP, lembrou que já existe um imposto especial sobre a banca e que o BCP já pagou mais de 600 milhões de euros em contribuições. Ele enfatizou a necessidade de um ambiente competitivo, alertando que novos impostos podem prejudicar a capacidade de competir a nível global. “É preciso ter em conta a concorrência com os outros operadores”, disse Maya.
A falta de habitação em Portugal também foi um tema central da conferência. Oliveira e Costa reconheceu que o aumento dos preços da habitação é um problema complexo e que não pode ser atribuído apenas a um governo ou partido. “Portugal foi um dos países onde mais cresceu o preço da habitação”, sublinhou. Pedro Castro e Almeida, do Santander, acrescentou que o país já tem uma carga fiscal elevada e que aumentar os impostos pode ser contraproducente para a criação de emprego e inovação.
Luís Pereira Coutinho, da CGD, defendeu que as ajudas fiscais são cruciais para o crédito à habitação, especialmente para os jovens. Ele destacou que cerca de 50% do crédito à habitação concedido pela CGD é para jovens, o que é um indicador positivo. No entanto, os banqueiros concordaram que a solução para a crise habitacional passa por um melhor planeamento e pela criação de novas centralidades fora dos grandes centros urbanos.
Miguel Maya alertou que a falta de planeamento tem sido um dos principais obstáculos para resolver a crise da habitação. “É preciso reconhecer onde está a origem do problema”, afirmou, referindo que a descentralização e a expansão das cidades são fundamentais. A oferta de habitação não tem acompanhado o crescimento populacional, o que tem levado a um aumento significativo dos preços.
Os banqueiros mostraram-se disponíveis para contribuir para a resolução do problema habitacional, mas enfatizaram que é necessário um compromisso sério por parte do governo para simplificar processos e facilitar a construção. “A banca tem condições para apoiar a promoção imobiliária, mas é um tema de longo prazo”, concluiu Maya.
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Fonte: Sapo





