Trump assina acordos sobre terras raras antes de encontro com Xi

Donald Trump está a tentar reforçar a posição dos Estados Unidos no mercado de terras raras, ao assinar acordos com Japão, Malásia, Tailândia, Vietname e Camboja. Estas negociações visam contornar a dependência global da China, que controla a maior parte da produção e processamento deste recurso vital, essencial para a fabricação de veículos elétricos e smartphones.

Os acordos foram firmados durante uma visita de Trump à Ásia, numa altura em que se prepara para uma importante reunião com o líder chinês, Xi Jinping. A intenção é clara: reduzir a influência de Pequim no setor das terras raras, que se tornou um ponto crítico na guerra comercial entre os dois países. Contudo, especialistas alertam que a construção de novas infraestruturas para a extração e refinação de terras raras fora da China será um processo demorado e dispendioso.

Patrick Schroder, analista do Centro de Meio Ambiente e Sociedade da Chatham House, explica que a criação de novas minas e instalações em países como os Estados Unidos e a Austrália implica custos elevados e regulamentações ambientais rigorosas. “A mão de obra e os consumos energéticos são também mais caros em comparação com a China”, sublinha.

Atualmente, a China controla cerca de 70% do processamento de terras raras a nível mundial, o que lhe confere uma vantagem significativa na disputa comercial com Washington. Recentemente, os controles de exportação chineses limitaram a oferta deste recurso, levando a Casa Branca a reconsiderar a sua política de tarifas.

Um dos acordos mais significativos foi o de 8,5 mil milhões de dólares com a Austrália, que visa desenvolver a capacidade de processamento de terras raras fora da China. Trump afirmou que, em cerca de um ano, os Estados Unidos terão uma quantidade tão grande de minerais críticos que não saberão como os utilizar.

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O acordo com o Japão foca-se no fornecimento e produção de terras raras, além de planos para investimento coordenado e armazenamento. Já os acordos com os países do Sudeste Asiático, embora promissores, são menos detalhados e não vinculativos. A Malásia, Tailândia, Vietname e Camboja concordaram em facilitar o acesso dos Estados Unidos a terras raras, mas os analistas alertam que Trump pode estar a agir de forma apressada, tentando chegar ao encontro com Xi Jinping com novas vantagens que podem não ter substância.

A Lynas Rare Earths, uma empresa australiana, é atualmente o maior fornecedor mundial de terras raras fora da China, mas enfrenta desafios regulatórios na Malásia, onde realiza parte do seu processamento. Apesar dos novos acordos, a China continua a dominar o mercado, o que levanta dúvidas sobre a eficácia das iniciativas de Trump.

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Fonte: Sapo

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