A indústria química e de refinação em Portugal, que ocupa a segunda posição entre os maiores emissores de gases com efeito de estufa, terá de realizar investimentos significativos para atingir a neutralidade carbónica. Um estudo da APQuímica, a associação do setor, estima que serão necessários cerca de 30 mil milhões de euros até 2050 para cumprir este objetivo.
Este valor surge no Roteiro da Neutralidade Carbónica da Indústria Química, resultado de dois anos de diagnósticos junto das empresas do setor e de outros ramos que também enfrentam o desafio da descarbonização, como a indústria do cimento, papel e vidro. Apesar de as emissões de gases com efeito de estufa da indústria química nacional terem diminuído 29% desde 1990, o setor ainda representa 32% do total das emissões, incluindo a refinação, que contribui com 20%.
Luís Gomes, presidente da APQuímica, sublinhou que a descarbonização até 2050 não é apenas uma meta, mas sim uma exigência legal no âmbito da União Europeia. Durante um encontro com jornalistas, Gomes destacou que o estudo, desenvolvido em parceria com a consultora EY e financiado pelo PRR, considera um cenário base que combina várias tecnologias, como eletrificação, economia circular, captura de carbono, hidrogénio verde e outros gases renováveis. “Modelámos o investimento necessário e estimamos que cerca de 30 mil milhões serão necessários até 2050”, afirmou Gomes, acrescentando que o maior esforço financeiro será concentrado entre 2030 e 2034.
O presidente da APQuímica enfatizou que a descarbonização deve ser integrada no modelo de negócio das empresas, alertando que, caso contrário, “vão falhar”. Ele também mencionou a existência de mecanismos europeus que podem apoiar o processo de investimento. Apesar da redução das emissões, o valor acrescentado bruto do setor aumentou 163%, demonstrando que é possível crescer economicamente ao mesmo tempo que se reduzem as emissões.
Para que a indústria química consiga avançar nesta transição, é crucial aumentar a previsibilidade regulatória e garantir condições de concorrência justas, tanto a nível europeu como global. Luís Gomes destacou que “as condições operacionais em Portugal não são iguais às de outros países da União Europeia e devem ser harmonizadas”, referindo-se ao elevado custo da energia como um fator de desigualdade.
Em 2023, a indústria química gerou um volume de negócios de 16,9 mil milhões de euros e foi responsável por 12,8% do total das exportações nacionais de bens, assegurando 52 mil empregos diretos e indiretos e investindo 1,1 mil milhões de euros. A transição para a neutralidade carbónica representa, portanto, um desafio significativo, mas também uma oportunidade para a inovação e o crescimento sustentável no setor.
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Fonte: ECO





