Francisco Pinto Balsemão: um legado de democracia em Portugal

A morte de Francisco Pinto Balsemão, uma figura emblemática da democracia portuguesa, provocou uma onda de homenagens que atravessou o espectro político. Desde políticos a cidadãos comuns, todos reconheceram a importância do seu legado. O discurso do seu filho, Francisco Pedro Balsemão, no Mosteiro dos Jerónimos, destacou-se como um momento de grande emoção, repleto de significado e humanidade.

No entanto, os elogios de figuras proeminentes do Partido Social Democrata (PSD) levantam questões sobre a coerência das suas palavras. Marques Mendes, conhecido por suas posições muitas vezes contraditórias, descreveu Balsemão como um “democrata exemplar”, elogiando a sua “visão estratégica” que, segundo ele, teria evitado uma “crise fatal” no partido. Curiosamente, Mendes foi também crítico da liderança de Rui Rio, que contava com o apoio de Balsemão.

Luís Montenegro, atual líder do PSD, referiu-se a Balsemão como um “símbolo da democracia” e da “fundação do partido”, destacando o seu papel em incentivar a social-democracia. Contudo, é importante lembrar que Balsemão apoiou Rui Rio nas eleições internas do PSD, o que o colocou em desacordo com Montenegro.

Cavaco Silva também prestou homenagem a Balsemão, sublinhando a sua “ousadia” e o seu “legado”, apesar de ter sido um dos que, no passado, se afastou dele. Marcelo Rebelo de Sousa, por sua vez, utilizou uma variedade de adjetivos para descrever Balsemão, ignorando episódios controversos da sua carreira.

Francisco Pinto Balsemão foi um dos fundadores do PSD e desempenhou um papel crucial em momentos críticos da história do partido. É amplamente reconhecido como um visionário e um defensor da liberdade. No entanto, muitos dos que hoje o enaltecem foram, em tempos, críticos do seu trabalho, utilizando a expressão “minar, minar, minar” para descrever a sua atuação nos difíceis anos 80.

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Após a sua saída da política, Balsemão encontrou a sua verdadeira vocação no mundo dos media. Em 2015, expressou a sua confiança na candidatura de Rui Rio à Presidência da República, apoiando-o em várias diretas do PSD. Entre 2019 e 2022, Rio enfrentou uma intensa campanha de desgaste, orquestrada por figuras como Marques Mendes e Luís Montenegro, que se opuseram à sua liderança.

É desconcertante que uma figura tão respeitada como Balsemão tenha sido traída na sua época, e que o líder que escolheu tenha enfrentado a mesma falta de apoio. A hipocrisia parece ser uma constante na política portuguesa, onde a integridade e a ética são frequentemente colocadas em segundo plano.

Balsemão, o leão da democracia, agiu sempre com um sentido de responsabilidade, desejando “deixar o país melhor do que o encontrou”. Em contraste, muitos dos seus contemporâneos parecem mover-se por interesses pessoais e agendas obscuras. Na política portuguesa, a luta pela ética e pela integridade continua a ser um desafio.

Descanse em paz, Dr. Francisco Pinto Balsemão.

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Francisco Pinto Balsemão Nota: análise relacionada com Francisco Pinto Balsemão.

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Fonte: Sapo

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