Cortes no SNS: A saúde em crise e a falta de reformas

Os cortes no orçamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) têm gerado reações previsíveis em Portugal. As corporações que dependem de financiamento público manifestam descontentamento, os partidos da oposição aproveitam a situação para criticar o Governo, e este recorre a eufemismos, como referiu o líder do PSD, Luís Montenegro, ao afirmar que não se tratam de cortes, mas sim de instruções para aumentar a eficiência. A realidade é que o país parece só avançar com reformas quando está sob pressão do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os setores afetados mobilizam-se e entram em conflito, a oposição intensifica as críticas e os governos acabam por recuar. O resultado é um país com um elevado nível de estatização, impostos altos e uma despesa pública que continua a crescer. Esta situação tem levado a um número crescente de vozes a defender a necessidade de um maior liberalismo na gestão da saúde.

Nos últimos dez anos, a saúde tornou-se uma das principais preocupações dos portugueses, refletindo-se no aumento dos orçamentos do SNS. A pandemia acelerou este crescimento, impulsionado por uma combinação de alarmismo, desinformação e uma busca incessante por melhores cuidados de saúde. Em 2015, o SNS gastou cerca de nove mil milhões de euros, mas este valor deverá subir para 17,3 mil milhões em 2026. Apesar deste aumento significativo, a percentagem do PIB destinada à saúde teve uma ligeira redução de duas décimas, o que não diminui a percepção de que o SNS é um dos maiores desafios políticos e orçamentais que os governos enfrentam.

Os custos da saúde aumentam, mas a qualidade dos serviços prestados continua a ser insatisfatória, especialmente em dois indicadores críticos: o tempo de espera dos doentes e a capacidade de resposta às urgências. A situação é alarmante, com relatos de bebés a nascerem em ambulâncias, num país que enfrenta um inverno demográfico. Em 2025, nasceram menos 1345 bebés do que em 2015, mesmo com a ajuda da imigração.

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Neste contexto, os cortes na despesa, embora possam ser justificados, provocaram a reação esperada. Enquanto existem programas claros nos ministérios das Infraestruturas e da Economia, a saúde parece carecer de uma estratégia definida. A atual ministra tem sido vista mais como uma gestora de recursos humanos, focada em negociar com os lóbis dos médicos e a tapar buracos financeiros.

A conclusão é clara: as parcerias público-privadas (PPP) devem ser ampliadas, desde que acompanhadas de mecanismos de controlo eficazes, sem que se tornem hegemónicas. A experiência mostra que os privados conseguem gerir melhor os seus hospitais e, ao mesmo tempo, a concorrência para a contratação de médicos poderia ser menos inflacionada. Infelizmente, o Governo parece estar mais preocupado em aplicar pensos rápidos do que em desenvolver um programa sustentável para a saúde.

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Fonte: Sapo

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